AS SOMBRAS DE OUTUBRO

17 de janeiro de 2020
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É outubro e a neve cai na pacata cidade de Copenhagen. A polícia é surpreendida ao descobrir o corpo de uma mulher brutalmente assassinada, faltando uma das mãos. Acima do corpo, em uma árvore, está pendurado um pequeno boneco feito de castanhas. O que parece ser apenas mais caso de homicídio para a experiente detetive Naia Tulin e seu novo parceiro, Mark Hess, se tornará um enigma aparentemente insolucionável, quando se descobre uma evidência ligando o “Sr. Castanha” a uma garota desaparecida há mais de um ano.

A garota se trata de Kristine Hartung, filha da política Rosa Hartung. O caso do desaparecimento foi encerrado pelo departamentos de homicídios. Um homem foi preso e confessou ter raptado e assassinado Kristine. A descoberta das digitais da garota no boneco pode comprometer os profissionais que investigaram o caso anteriormente e cabeças irão rolar. Que conexão pode ter esses dois casos?

AS SOMBRAS DE OUTUBRO é narrado em terceira pessoa, com capítulos curtos, onde conhecemos um pouco do passado dos personagens, porém de uma forma rápida, que não deixa o leitor entediado. Ação e sangue é o que não vai faltar neste Thriller.

De início notei a semelhança entre este livro e O HOMEM DE GIZ, da autora C.J Tudor, que foi tão comentado no ano passado. Ambos os livros são excelentes, a narrativa cheia de reviravoltas prende o leitor do início ao fim.

O que me incomodou nos protagonistas foi que a detetive Tulin, embora perspicaz e com uma personalidade forte, no qual me identifiquei, muitas vezes estava cética diante de alguns acontecimentos. Isso tirou, ao meu ver, o brilho da personagem feminina. Já o investigador Hess, recém expulso da Europol, mostrou uma personalidade introspectiva, mas se tornou o meu personagem preferido. Roubou a cena literalmente.

O livro aborda um cenário político, familiar, investigações e descrições cruas, porém tem tudo que um amante do suspense policial gosta. É um thriller frenético, sentimos empatia por alguns personagens, mas não há gatilhos, pois o  autor não prolonga muito descrições dos fatos em si.

No final senti que Soren Sveistrup, o autor, iria enveredar um caminho, justificando o comportamento do serial killer, mas uma fala do Detetive Hess demonstrou que o autor conhece e deve ter estudado a fundo a mente de um psicopata e não estragou o livro.

É incrível com Soren não deixa nenhuma ponta solta, todas as dúvidas levantadas no decorrer do livro são explicadas. E eu estava sentindo falta disso em um thriller, um final reconfortante. Exceto por um gancho que, espero, continuará em um próximo livro do autor com os mesmos detetives como protagonistas.


AUTOR: Soren SVEISTRUP
TRADUÇÃO: Natalie GERHARDT
EDITORA: Suma
PUBLICAÇÃO: 2019
PÁGINAS: 416


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Brena

Sou a Brena tenho 24 anos, sou formada em História e viciada em livros. "Onde se queimam livros cedo ou tarde se queimam homens." (Heinrich Heine)

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