TOKAGE

18 de maio de 2020
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3 min de leitura

O ano é 2220 d.C.. Um homem desperta dentro de uma sala branca e fria, tenta se mexer, mas percebe que seu corpo está paralisado. Suas lembranças estão fragmentadas e ele não sabe o que está acontecendo. Medo, angústia e desespero inundam a alma do pobre homem. Teria sofrido um acidente? Seria vítima de abdução alienígena? Estaria morto? Duzentos anos antes, após a visita de uma raça alienígena ao planeta Terra, uma nova ordem mundial e interplanetária é instituída. A etnia TOKAGE passa a governar o mundo e a traçar planos para alcançar a tão sonhada paz.

TOKAGE é a primeira obra do autor e consiste em uma novela de ficção-científica, que poderia ser também uma crônica em uma versão um pouco mais estendida. O enredo se passa em diferentes anos, como uma sequência de flashbacks, e gira em torno das consequências da invasão de seres extraterrestres e a dominação do planeta por estes seres. Ele traz questões como a criogenia e o transplante corporal, porém mantém as discussões de modo superficial. Cada capítulo se passa em um ano, e a história é contada por Augusto, que narra alguns capítulos em primeira pessoa, mas também há alguns trechos com narrativa do ponto de vista espectador para contemplar as cenas em que ele não está presente.

A história é sobre um homem que passou pelo processo de criogenia em 2023, organizada pelos extraterrestres que passaram a dominar a Terra em 2020, e é “descongelado” em 2220. A princípio, ele não compreendia como havia chegado ali, mas todos informam que ele havia se voluntariado para o projeto conhecido como AIP. A medida que a história evolui, descobrimos que Simon, líder dos TOKAGE (espécie alienígena que dominou a Terra), é apaixonado por Anna, filha do protagonista da história, e, aos poucos, ela passa de personagem secundária a protagonista.

A menina, que se mostra uma excelente cientista, se esforça ao máximo no intuito de reencontrar o pai, que havia sumido sem explicação. Porém, as verdadeiras intenções de Simon e sua espécie com o plano de criogenia não são tão puras quanto o que eles tentam afirmar. E a história, a depender dos olhos que a leem, pode ser entendida como uma metáfora bastante didática sobre dominação e aculturação de povos, e seria um instrumento muito interessante no ensino de pré-adolescentes sobre os eventos históricos, desde que se fizesse um paralelo adequado.

Muitos segredos envolvem o motivo pelo qual os extraterrestres invadiram a Terra e o interesse por Anna e Augusto. A história vem como um punhado de retalhos a serem unidos pelo próprio leitor, baseando-se nas dicas temporais apresentadas. Isso exige um cuidado redobrado durante a leitura, para que se crie um sentido lógico ao final. Além disso, há uma constante incerteza sobre em quem se deve confiar e a tentativa de esclarecer o que aconteceu nos anos em que Augusto e Anna estavam “congelados”.

Um dos pontos negativos da história é que são criados muitos elementos que poderiam ter sido melhor desenvolvidos, mas se perdem na narrativa. A título de exemplo, cita-se: o ciúme da ajudante de Simon por Anna, o motivo do interesse de Simon por Anna e o próprio desfecho da história. Quanto ao desfecho, que ocorre nas últimas cinco páginas, é um pouco frustrante, porque embora seja baseado em um conceito interessante, na prática há pouco detalhamento. Assim muita da emoção que provavelmente foi idealizada pelo autor se perde ao mesmo tempo em que várias questões continuam sem explicação. Porém isso pode ser parte do propósito do autor, que finaliza a obra, deixando em aberto o futuro do planeta e a possibilidade de que toda a história se repita ou haja alguma forma de vingança.

Ademir Soares Jr. nasceu em Laranjal Paulista em 1976. Formado em Comunicação Social, Teologia e Letras com especializações em Novas Tecnologias na Educação e Metodologia e Práticas Pedagógicas do Ensino da Língua Portuguesa. Escreveu alguns livros em outras áreas, porém TOKAGE é sua primeira história de ficção científica. Atualmente é professor de língua portuguesa, literatura e redação na cidade de Atibaia, SP.


AUTOR: Ademir SOARES JR.
EDITORA: Clube dos Autores
PUBLICAÇÃO: 2019
PÁGINAS: 130


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Ana Lu

Meu nome é Ana, tenho 19 anos, estudo pra me tornar médica e sou apaixonada por livros desde pequena (não que tamanho seja algo de sobra). Escrever é como prender um pedacinho da alma no papel e quando não estou mergulhada nesse mundo tento ver o arco iris em meio às tempestades.

13 Comments Deixe um comentário

  1. Ficção científica nunca foi meu forte.Eu sempre acho que é um gênero inteligente demais pra uma mente vazia como a minha.rs
    Sempre consigo bagunçar tudo.
    Ainda não conhecia este livro,mas me pareceu uma ficção mais leve e oh, talvez esse ponto negativo, seja até positivo para quem como eu, não entende muito deste universo.
    E no mais, é literatura nacional!!!Merece muitas chances!!!
    Se puder, claro que lerei!
    Beijo

  2. ANA!
    Faz tempo que não leio uma ficção que fala sobre alienígenas dominando um planeta e eram minhas favoritas na adolescência.
    Ver um autor nacional se arriscar em escrever a verdadeira ficção científica, para mim é motivo de orgulho, mesmo com todas suas obervações sobre pontos negativos.
    Gostei do plot e fiquei curiosa por saber como tudo se desenrola e termina.
    cheirinhos
    Rudy

  3. Olá, Ana

    Eu gosto muito de temas de viagens no espaço, invasão alienígena, mas nunca li nada do tema.
    Não fiquei com vontade de ler esse livro em si, mas quero dar uma chance ao tema.
    Obrigada
    Beijos

  4. Eu sempre comento como eu leio poucas obras nacionais, eu acho sempre incrível quando eu encontro indicações assim. Aqui não é a primeira vez que eu vejo esse livro sendo indicado, então acho que está na hora de por ele na lista kkkkkkkkkk ele ser bem curto (não ser um romance) é um grande incentivo pra aqueles dias q a gente tá a fim de ler algo em uma sentada só. Obrigada ;*

  5. Acredito que na questão do desenrolar da história os elementos apresentados seguem bem a lógica de outras ficções científicas, e entendo que o autor quis trazer uma linguagem mais simples e fatos não tão complexos, mas faltou amarrar melhor o que estava acontecendo. Haha beijinho!!

  6. Olá! Confesso que não é o tipo de leitura que eu faço normalmente, aliás, quando o assunto é ficção científica, normalmente eu fujo (risos). Mas não dá para negar que o enredo se mostrou bem interessante, mesmo com as ressalvas, acho que é aquele tipo de leitura que ao final nos deixa até mesmo receosos com o quanto a ficção pode se tornar realidade #medo.

  7. Oi, Ana
    Casa vez que leio alguma resenha de livros de ficção científica, não deixo de comparar que sempre tem algo que se assemelha com nossa realidade.
    Tem uma premissa atraente, vai para a lista de desejos.
    Beijos

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