MAGDA

19 de dezembro de 2019
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2 min de leitura

Um meteorito caiu na Terra e trouxe duas formas microscópicas de vida que estavam em hibernação: uma delas se multiplicou e se espalhou pela população como um vírus, gerando uma psicose canibal e irracional, obrigando os infectados a atacarem e matarem qualquer um para comerem carne humana; a outra infectou Magda, criando uma relação simbiótica e surgindo como um imenso inseto sempre que precisa se manifestar, para depois voltar à forma humana. Magda chama essa entidade de Máquina.

Máquina também tem fome, mas ela só se alimenta das pessoas infectadas ou quando corre algum risco. Magda utiliza a força e a velocidade de máquina para salvar vidas e se proteger. Mas algo começa a ficar diferente com os infectados, parece existir uma força desconhecida que atrai Magda e Máquina para uma armadilha que pode ser fatal para ambas.

As duas entidades são na verdade uma espécie de predador e foram responsáveis por eventos de extinção em outros mundos. O mesmo aconteceria na Terra, se a metamorfose de união com Magda não fosse tão completa e satisfatória. Toda a história é bastante interessante, com desenhos em preto e branco, traços redondos e disformes, que não chegam a comprometer o entendimento da ação ou a identificação dos personagens. A violência é visceral, explícita, com membros sendo arrancados, perfuração de crânios, pedaços de corpos sendo ingeridos, explosões, e por aí vai.

Magda é uma personagem carismática, que tem uma relação de dominação com a Máquina, mesmo esta última sendo mais forte fisicamente. As conversas que mantém, na mente que compartilham, são cheias de sarcasmo e ironia, o que torna a leitura bem agradável e, por vezes, apesar de todas as mortes, engraçada.

Máquina, quando assume o controle, literalmente se despe de Magda: abre o corpo, como se tivesse um ziper, e se desfaz da pele, mostrando sua forma de inseto bem nojenta. Nesses momentos, as lutas ganham o máximo de violência. Quando não é mais necessária, ela volta a vestir a pele de Magda e passa o controle para a mesma. É bizarro, estranho, diferente, e por isso mesmo, excelente.

O único senão que me incomodou é o tratamento exageradamente expositivo dado a Magda. A personagem, quando na sua própria pele, é quase sempre desenhada em posições esdrúxulas e sexuais, com suas partes à mostra, mesmo quando não há qualquer necessidade ou sentido para isso. Eu até entenderia que a nudez fosse mostrada quando Magda troca de lugar com Máquina, afinal a pele é arrancada, mas não é assim. Mesmo quando Magda está vestida, o autor dá um jeito de subir o vestido ou a saia da personagem para mostrar sua bunda, sua calcinha ou seus peitos. E muitas das posições colocam em destaque o sexo da personagem. Não sei qual a finalidade, se é para aquele leitor adolescente se marturbar ou se é um feitiche do autor em compensar sua libido. De qualquer forma, é desnecessário e rebaixa a qualidade da obra.

No mais, MAGDA é uma HQ nacional criativa, com uma história violenta, uma personagem interessante, inteligente, forte, que certamente agradará ao leitor, desde que ignore os defeitos apontados acima. E acredito que a maioria dos homens fará isso.


AVALIAÇÃO:


AUTOR: Rafa Campos ROCHA
ILUSTRADOR: Rafa Campos ROCHA
EDITORA: Quadrinhos na Cia
PUBLICAÇÃO: 2016
PÁGINAS: 144


COMPRAR: Amazon


Carlos Barros

Sou o Carlos e tenho várias paixões, como livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

7 Comments Deixe um comentário

  1. Ruim isso. Não, o enredo tem tudo para ser bacana. As ilustrações são lindas, amo isso das cores, ou aliás, das não cores..rs
    Sempre pinto minha vida assim, sem cores(outra divagação)
    Mas como não conhecia a Hq, fiquei lendo e confesso que até gostei, mesmo não sendo um gênero que eu entenda a fundo. Mas pelo que li e entendi, a violência tudo bem, é até legal, quando é colocada assim, em livros. Mas nudez em excesso? Ah, precisa não né???
    Sei lá…sem contexto, acaba estragando um tanto bom o enredo.
    Beijo

  2. Olá!
    Sabe o que notei no decorrer das resenhas que são postada aqui que você gosta muito de livros que traz coisas futurística. Eu meio que adoro isso bastante. Gostei da premissa, uma historia interessante e com certeza se fosse ler trairia um belo de um filme né. Espero ler logo e conhecer mais!

    blog:
    Tempos Literários

  3. Carl!
    Um tanto confuso mesmo essa questão da nudez de Magda.
    Agora o que me intrigou foi o fato primeiro de ela ter sido a única a ser contaminada com o outro vírus e se a combinação dela com Máquina deu certo, qual a importância delas para a extinção do outro vírus? E como é que tudo isso acontece?
    Esse lance de canibalismo e de comer cérebro, parece um lance meio que zumbi, né?
    cheirinhos
    Rudy

  4. Aparentemente a HQ possuí uma personagem forte memorável, mas que de certa forma, não souberam bem como desenvolver, não somente ela, mas a história, é um tanto complexa e chega aparentar exageros…

  5. Olá! Confesso que desanimei (e muito) logo ali, naquela parte da violência visceral, membros arrancados! Ai ai tô fora, digamos que não soa assim uma boa combinação eu e essas frases juntas! Mas admito que terminei a resenha dando risada sobre o comentário da nudez excessiva da protagonista.

  6. Oi, Carl
    Não tinha conhecimento dessa HQ.
    O enredo é bom, me interessa muito mas o que decepciona é mostrar demais o corpo de Magda.
    Quando tiver oportunidade quero ler, beijos.

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