MEDALIST — BATALHA NO GELO

9 de setembro de 2026
41.9K views
4 min de leitura

Avaliação

ENREDO
6/10
PERSONAGENS
7/10
ESCRITA
6/10
RITMO
7/10
ORIGINALIDADE
6/10
ARTE
6/10
FINAL/CONCLUSÃO/CLÍMAX
6/10
Geral
6.3/10
AUTORE: Tsurumaikada • TRADUÇÃO: Cristina Mayumi Maki • EDITORA: JBC • 2026 • PÁGINAS: 232

“Medalist” é um mangá de esporte, mas a primeira coisa que me pegou nele não foi a patinação artística. Foi a sensação de estar lendo sobre duas pessoas que quase foram convencidas a desistir de si mesmas.

A edição brasileira da JBC começa apresentando Inori, uma menina que sonha em se tornar uma grande patinadora. Ela quer chegar ao topo da patinação artística, mas o mangá deixa claro desde o início que esse sonho não é simples. Inori não aparece como uma criança confiante. Ela aparece como alguém que quer muito uma coisa, mas ainda precisa provar para os outros, e talvez para si mesma, que esse desejo merece existir.

É aí que entra Tsukasa. Ele não é apenas o treinador que reconhece o talento da protagonista. Ele também carrega uma frustração própria. A relação entre os dois funciona porque os dois estão tentando recomeçar de algum jeito. Inori quer entrar de verdade no mundo competitivo da patinação. Tsukasa quer transformar a própria experiência em algo que ajude outra pessoa a ir mais longe.

O volume 1 é muito eficiente em criar esse vínculo. A história mostra o encontro entre Inori e Tsukasa e estabelece a ideia central da obra: aluna e treinador crescendo juntos em um ambiente competitivo. O mais bonito é que a obra não trata o sonho de Inori como algo fofo e distante. Ela quer ser uma atleta. Ela quer competir. Ela quer ser levada a sério. 

Também gosto de como o primeiro volume apresenta a patinação artística sem afastar quem não entende do esporte. A obra fala de técnica da competição, mas sempre amarra isso ao sentimento dos personagens. Quando Inori entra no gelo, o que importa não é só se ela vai acertar um movimento. Importa o que aquilo significa para ela naquele momento.

No volume 2, a história ganha uma tensão mais clara com a Copa Meikou. É a primeira grande batalha de Inori e Tsukasa como atleta e técnico rumo aos Jogos Olímpicos. A rival Miketa já aperfeiçoou o salto duplo, enquanto Inori ainda só consegue fazer uma volta. Esse contraste é importante porque coloca o sonho da protagonista diante de uma diferença real de nível. Inori está atrás. Ela sabe disso. Tsukasa também sabe.

O volume 3 amplia esse mundo. Inori e Tsukasa se preparam para a primeira competição fora de casa, e aparecem Ema e seu treinador, Jakuzure. Também entram em cena outras desafiantes talentosas no Campeonato Nacional. A partir daqui, a sensação é que o mangá começa a abrir o rinque. Inori não está apenas lutando contra uma rival específica. Ela está entrando em um sistema cheio de atletas, treinadores, expectativas e diferenças de preparo.

No volume 4, a obra sobe mais um degrau. Shinichirou Sonidori, medalhista de prata olímpico admirado por Tsukasa, pede que ele seja técnico de seu filho, Riou. A entrada dele mexe com Tsukasa e também com Inori. Quando Riou desdenha da falta de histórico de Tsukasa, Inori reage e declara que vai obter o distintivo nível 6 antes dele, além de participar do Campeonato Nacional de Patinação Artística na categoria Novice A.

Esse momento é forte porque mostra uma Inori mais decidida. Ela ainda tem inseguranças, mas não é a mesma menina do começo. A promessa de alcançar o nível 6 e disputar o Campeonato Nacional Novice dá ao quarto volume uma sensação de urgência. A própria história reforça que aquele é o último ano em que Inori pode tentar o Campeonato Nacional Novice. 

O que mais me agrada nesses quatro volumes é a honestidade emocional. “Medalist” é inspirador, mas não é ingênuo. A obra fala de sonho, mas também fala de medo e cobrança. Inori não está tentando realizar algo fácil. Ela está tentando entrar em um esporte onde começar depois já parece uma desvantagem enorme. E Tsukasa entende isso porque também sabe como é carregar uma derrota.

A arte de Tsuruma Ikada ajuda muito nessa força. As cenas de patinação têm movimento e energia, mas o destaque para mim está nas expressões. Inori é uma personagem muito expressiva. O rosto dela mostra vergonha, pânico, concentração, raiva, alegria e determinação com muita clareza. Isso deixa as competições mais intensas, porque a gente acompanha o corpo no gelo e, ao mesmo tempo, acompanha a cabeça da personagem tentando não desabar.

A edição brasileira da JBC também combina bem com a obra. O formato é confortável, e o primeiro volume teve uma primeira tiragem com acabamento especial de laminação que simula brilho de flocos de gelo, além de marcador. É um detalhe editorial que conversa com o tema do mangá sem parecer gratuito.

Lendo apenas os volumes publicados até agora no Brasil, sinto que “Medalist” já mostra com muita clareza por que é uma obra tão elogiada. Ela tem os elementos clássicos de um mangá de esporte: treino, rivalidade, competição, meta, superação. Mas o que faz a leitura funcionar é a forma como tudo isso nasce dos personagens.

Até o quarto volume, “Medalist” é uma leitura que cresce de maneira muito consistente. O primeiro volume emociona pela descoberta. O segundo coloca a protagonista diante de uma rivalidade concreta. O terceiro expande o cenário competitivo. O quarto aumenta a ambição e a urgência. A cada volume, o sonho de Inori parece mais bonito, mas também mais difícil.

E é justamente por isso que eu continuo querendo acompanhar. Porque o mangá não promete que o caminho vai ser fácil. Ele promete que Inori vai tentar mesmo assim. E, depois de quatro volumes, isso já é o bastante para fazer a gente torcer por ela de verdade.

Carlos Barros

Sou o Carlos e tenho várias paixões, como livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

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ESCRITA
6/10
RITMO
7/10
ORIGINALIDADE
6/10
ARTE
6/10
FINAL/CONCLUSÃO/CLÍMAX
6/10
Geral
6.3/10
AUTORE: Tsurumaikada • TRADUÇÃO: Cristina Mayumi Maki • EDITORA: JBC • 2026 • PÁGINAS: 232

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