DIVINITY

26 de outubro de 2020
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2 min de leitura

Abram Adams foi abandonado quando ainda bebê e foi criado pelo estado para se tornar um dos melhores soldados da antiga União Soviética, na época da Guerra Fria, nos anos de 1960. Por não ter laços familiares, ele foi escolhido para integrar uma missão espacial, em uma viagem de 30 anos para alcançar um ponto desconhecido do espaço. Mantido em criogenia, quando chega ao local, ele encontra muito mais do que qualquer pessoa poderia imaginar. É o momento em que ele morre e renasce com os poderes de um deus sobre o tempo e o espaço.

Após 55 anos, Abram finalmente retorna à Terra e começa a realizar os desejos das pessoas, criando um misto de assombro e medo. Enquanto cresce o número de seguidores e adoradores, alguns fanáticos, o governo designa uma equipe de heróis para investigar e, se necessário, deter Abram. Nesse conflito, o destino do mundo pode ser uma nova utopia ou um inferno.

DIVINITY levanta questões importantes, como lealdade política construída em cima de um doutrinamento intenso, que é o que Abram sofre nas mãos dos russos desde sua infância até sua maturidade; a violência dos homens diante do desconhecido, que ao invés de tentar conhecerem, preferem destruir; a importância e a necessidade de se fazer parte de uma família, coisa que Abram mais desejava e que nunca chegou a conseguir; a fragilidade humana, que se dobra diante de qualquer sonho realizado; e o extremismo das pessoas em defender ideias e posicionamentos que acham certos.

Tudo isso é tocado na HQ de forma mais ou menos direta, e as consequências são levadas até um ponto que surpreende. Embora Abram tenha sido treinado para ser o melhor dos melhores, ele foi fisicamente, mas não mentalmente. Ele demonstrava uma fragilidade emocional imensa, principalmente por nunca ter tido figuras familiares, e quando consegue um vínculo afetivo, com uma namorada, ele o faz de forma escondida do governo, e logo perde, porque parte na missão espacial.

E esse é o ponto fraco de Abram. Alguém com um psicológico tão fragilizado, não teria qualquer condição de assumir poderes divinos, de criação. Ele não perde o controle do que faz, mas ele não sabe o que faz e nem como enfrentar quem se opõe. E a forma como a equipe que o confronta encontra para combatê-lo, mesmo ele sendo praticamente invencível, é mais responsabilidade do próprio Abram.

DIVINITY é uma história que faz o melhor que as histórias conseguem, faz o leitor pensar. A arte não chega a impressionar, diria que é apenas competente na construção da ação e dos personagens. Algo mais comercial, sem nenhum destaque criativo. Mas isso não atrapalha, uma vez que a parte mais importante está mesmo no roteiro. E só por ele já vale a leitura, e muito.


AUTOR: Matt KINDT
ILUSTRADOR: Trevor HAIRSINE
TRADUÇÃO: Gustavo BRAUNER
EDITORA: Jambô
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 112


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Carlos Barros

Sou o Carlos e tenho várias paixões, como livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

5 Comments Deixe um comentário

  1. As Hq’s estão cada vez mais lindas e a Jambô tem maestria no gênero. Olha as ilustrações dessa!
    Impressionada com as cores e também o enredo. Mesmo sendo assim,mais voltado pro lado comercial, parece agradar bastante.
    Eu ainda não conhecia, mas já gostei muito do que li e vi acima e se tiver oportunidade, quero muito ter essa lindeza em mãos!!!
    Beijo

  2. Olha que demais!
    Pegar um sci fi, pelo menos eu, enxergo Divinity como um e trazer para o nosso contexto. Com críticas e questionamentos que podem ser inseridos em qualquer sociedade

  3. Crl!
    Mesmo que as ilustrações não sejam nada excepcionais, achei fantástico o fato do autor trazer uma HQ que faz o leitor refletir sobre diversas coisas, principalmente a dominação do governo, as relações pessoais e a falta de habilidade emocional do protagonista.
    Verdadeira lição para nós leitores.
    cheirinhos
    Rudy

  4. Vi a capa e pensei: tá, esse não é um livro que leria. Mas aí veio seu primeiro parágrafo e fiquei arrependida de ter pensado assim KKKK Nossa, parece ser tão legal! Tenho uma quedinha por livros e filmes de heróis, pessoas com poderes, etc. Achei melhor ainda ser um quadrinho, fica mais dinâmico ne? Além de parecer ainda mais interessante pelas “lições” que você falou.

  5. Olá! Definitivamente o tipo de história que eu gosto, que nos faz refletir e de quebra temos alguns desenhos para deixar tudo melhor, já gostei do personagem principal e de como ele foi criado para ser perfeito, mas nem tudo deu certo, acho que lembra um pouco essa obsessão de nós humanos de sermos sempre os melhores ou posso está viajando (risos).

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