A SECA

4 de dezembro de 2019
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3 min de leitura

A pequena cidade de Kiewarra, cujo principal sustento da população é baseado na agricultura, enfrenta uma seca terrível há mais de dois anos. Os donos das fazendas tentam aguentar a pressão financeira, quando um deles, Luke Hadler, aparentemente enlouquece, mata sua esposa, seu filho de seis anos de idade e depois se suicida. Apenas a filha, de poucos meses de idade, sobrevive. O caso abala a comunidade e parece demonstrar a loucura de uma pessoa desesperada.

Aaron Falk é um policial federal que investiga fraudes financeiras. Na infância, ele era amigo de Luke, mas foi embora de Kiewarra devido a uma outra tragédia. Agora, ele está de volta para presenciar o funeral, com a intenção de ficar o menos possível. Mas os pais de Luke o abordam e pedem ajuda, eles acham que Luke não cometeu suicídio, mas que foi assassinado, bem como não foi responsável pela morte da esposa e o filho. Só que não têm qualquer prova disso.

Mesmo contra a vontade, Aaron acaba por ir até a fazenda de Luke e estudar a cena do crime. É quando conhece o sargento Greg Raco, responsável pelo caso, que também estuda o local e que compartilha com Aaron alguns detalhes estranhos sobre as mortes, detalhes que ele não consegue explicar e que são suficientes para convencer Aaron a permanecer na cidade e, de forma não oficial, tentar descobrir o que realmente aconteceu naquela fazenda.

Em paralelo, Aaron precisa lidar com a tal tragédia que o levou a ir embora de Kiewarra. Na adolescência, Luke, Ellie, Gretchen e Aaron eram o grupo inseparável. Ellie e Aaron se sentiam atraídos um pelo outro, enquanto Luke e Gretchen formavam o outro casal. Ellie passava por problemas que eram ignorados pelos amigos, principalmente pela imaturidade de todos, até que um dia, ela é encontrada afogada no rio próximo da cidade. Devido a uma carta que Ellie deixa para Aaron, todos passam a suspeitar dele como o responsável pela morte de Ellie. Mas existem detalhes que também apontam para Luke.

A SECA é o livro de estreia de Jane Harper, e é incrível como ele é maduro, conciso, eficiente em sua trama, a ponto de me obrigar a ler todo sem parar, até chegar à última página. Toda a história e todos os personagens são muito bem construídos, e a dureza daquela terra seca é perfeita pelo contraste da crueldade do que se vai descobrindo no decorrer da investigação. A morte da família de Luke e seu aparente suicídio não é o pior fato que irá encontrar no livro. São duas investigações que correm em paralelo, uma proposital, outra levada pelas consequência do retorno de Aaron a Kiewarra, e ao final, fica difícil decidir qual delas apresenta resultados mais terríveis.

Embora a solução das mortes de Luke e sua família não seja uma surpresa, existem pistas bem claras espalhadas pelo livro, o mesmo não se pode dizer sobre o suicídio de Ellie. É nesse segundo relato que reside a surpresa do livro, e ele também é responsável por um final agridoce, que não parece muito justo, mas que representa a realidade de muitas famílias desajustadas, cujos relacionamentos tóxicos são ignorados por puro egoísmo e indiferença de quem está próximo.

Outro ponto merecedor de elogios é a construção da amizade entre Aaron e Raco. O que começa de forma duvidosa e despretensiosa, aos poucos é consolidado com uma fidelidade que chega ao ponto máximo no clímax da história. Os demais personagens secundários servem perfeitamente como suspeitos, todos eles com seus motivos, suas revoltas, nada é colocado ao acaso. E é nesses detalhes que residem as pistas para ambos os crimes, o que demonstra o cuidado e a competência da autora.

A SECA é um thriller emocionante, forte, sobre a crueldade e a ambição humana que não mede consequências em seus atos. Sem qualquer dúvida, está na lista dos melhores suspenses deste ano, e se tornou uma grande surpresa, principalmente por ser a primeira obra da autora. Seja amante ou não do gênero, não deixe de comprar e ler ou irá perder um suspense brilhante.


AVALIAÇÃO:


AUTORA: Jane HARPER
TRADUÇÃO: Cláudia GUIMARÃES
EDITORA: Morro Branco
PUBLICAÇÃO: 2019
PÁGINAS: 400


COMPRAR: Amazon


Carlos Barros

Sou o Carlos e tenho várias paixões, como livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

7 Comments Deixe um comentário

  1. Eu tenho plena certeza de que vou ficar se ler uma obra quando já vou abrindo a página do Skoob ao lado, só para adicionar o livro na estante de desejados(é o que estou fazendo nesse momento)
    Puxa, confesso que ainda não tinha lido ou visto nada sobre este livro,mas amo isso, do mistério, de crimes, mas acima de tudo, da humanidade. Desse surpreender que há em cada um de nós, quando o cinto aperta!
    Com certeza, já quero demais!!!
    Beijo

  2. Olá! Cada vez que vejo uma dica de thriller já fico toda empolgada, afinal esse ano minha meta foi diversificar um pouco minhas leituras e não é que eu gostei! Minha lista só tem aumentado e não dá nem para reclamar, pois acabei me identificando bastante com ele e a parte em que eu tento desvendar os mistérios é a mais especial e engraçada (normalmente eu erro), mas é divertido ficar nas tentativas, com o tempo vou me aperfeiçoando.

  3. Carl!
    Fico impressionada que logo em seu primeiro livro, a autora tenha escrito uma trama tão bem escrita, carregada de mistério e logo duas investigações.
    E gostei também de ver que ela traz a maldade da natureza humana, mostra as diversas formas de sentimentos ambíguos e perniciosos.
    Quero poder ler.
    cheirinhos
    Rudy

  4. Vez ou outra me aventuro nos trillers e A Seca tem uma história bem envolvente, com Mistérios que envolvem o leitor.
    Curti que as duas tramas, passado e presente, são contadas simultaneamente e estão interligadas.

  5. Incrível como a autora conseguiu interligar todo, tecer sua teia entre passado, presente, e de certa forma, futuro.
    Confesso que ao decorrer da leitura da resenha, o contexto da obra me lembrou um pouco ‘objetos cortantes’ da Gillian Flynn, apesar de serem casos amplamente diferentes, ambos remetem de certa forma, esta teia entre passado e presente, entre reviver o passado para compreender o presente e enfrenta-lo para mudar o futuro, e claro, âmbito famílias tóxico…
    De fato fiquei totalmente instigado e já imaginando sobre o que poderia ter acontecido em Kiewarra, fiquei impressionado com a contextualização e ambientação da historia, com toda certeza este vai para minha wishlist infinita, espero que a autora continue a trilar por esse caminho, já que aparentemente, ela estreou com “pé direito”.

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