SERPENTÁRIO

30 de outubro de 2019
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3 min de leitura

No Réveillon de 1999 para 2000, Carol, Mari, Hélio e Paulo são quatro adolescentes, entre 14 e 17 anos, que buscam uma forma de diversão e de passar o tempo no litoral do estado de São Paulo. O único ponto de interesse deles é em uma pequena ilha que fica próxima da costa, e que dizem ser cheia de cobras. Metade deles deseja se aventurar nesse lugar, mas a outra metade não. E com a chegada de uma tempestade, todos desistem. Até que Manson, o cachorro de Carol, desaparece, e um índio misterioso diz ter visto um homem levar o animal para a tal ilha. Então, os quatro resolvem aceitar a ajuda desse índio e irem de barco procurar Manson. Mas no meio do caminho, surge um nevoeiro, e dentro do nevoeiro, uma outra ilha, na qual os quatro amigos irão conhecer o verdadeiro inferno, e um deles irá perder a vida.

Dezenove anos depois, Carol volta ao litoral e consegue convencer Mari e Hélio a também voltarem. Mari virou uma religiosa, enquanto Hélio sofreu um acidente e agora está paralítico da cintura para baixo. A motivo do convite de Carol, é que ela descobriu que Paulo, o amigo que ficou para trás na ilha e que pensavam morto, na verdade não está, virou um famoso escritor, que usa um pseudônimo e é muito rico. Ela também o chamou para a reunião, e espera conseguir convencê-lo a perdoá-los pelo que aconteceu na ilha das cobras. Só que não é apenas Paulo quem retorna. A presença que estava na ilha, ainda possui pendências a acertar com os quatro amigos.

Toda a história de SERPENTÁRIO é recheada de acontecimentos assustadores, personagens bizarros, momentos que parecem acontecer, mas não acontecem, além de muitos, muitos sustos. A narrativa não é linear, os capítulos intercalam o passado com o presente, mas também com acontecimentos de décadas atrás, como por exemplo com a tripulação de um submarino russo da Segunda Guerra Mundial que encontra a ilha, pescadores que perderam a embarcação no mesmo local, além de alguns outros personagens, a maioria desconhecida, usada apenas para demonstrar o mal que existe naquele lugar.

Mas existem outros fatores, como reuniões nazistas, bruxaria, almas condenadas por pactos, espíritos que vagam pelo lugar, pessoas que aparecem e desaparecem, outras que possuem comportamentos anormais, e por aí vai. Tudo isso é misturado com parcimônia, sem pressa, em momentos específicos, claramente com a finalidade de confundir e assustar o leitor. Por isso SERPENTÁRIO é tão delicioso de ser lido. Delicioso para quem ama o terror. Porque ele dá medo.

Você quer um exemplo? Carol está esperando na frente da casa de Hélio, ele ainda não chegou, então ela pensa ver um vulto e espia pela abertura do portão. Quando faz isso, aparece um rosto de olhos esbugalhados, na sua frente, ela se afasta com um grito, e quando olha de novo, não tem ninguém no lugar. Outro exemplo? Ela ouve o latido de Manson por toda a cidade, mesmo sabendo que Manson já morreu muitos anos atrás. Até arrepia, não é?

Carol é quem sente mais pesar pela covardia de terem deixado Paulo para trás. Ele era o mais novo do grupo, o mais pobre, que morava na cidade do litoral e que não tinha perspectivas de uma vida mais tranquila. Hélio virou um homem amargurado, sem qualquer vontade de voltar ao passado, ainda mais depois do acidente que teve. E Mari procura na religião uma forma de compreender as coisas que viu. Entretanto nenhum deles está preparado para o novo Paulo, um homem que agora é rico e famoso, que não aparenta ter ressentimentos e que só deseja passar um tempo agradável com amigos que não via há muito tempo.

Claro que você sabe que existe algo de errado. E esse conhecimento é que torna a leitura urgente, porque você vai querer saber o que afinal aconteceu na ilha e o que poupou Paulo a ponto de torná-lo alguém tão importante. E a coisa piora quando a ilha volta a aparecer e os quatro precisam resolver as pendências nesse lugar. E esse é o único problema da história, uma vez que essas pendências não são totalmente resolvidas, muita coisa fica em aberto, muitas perguntas sem resposta. Acho que essa decisão é proposital, mas também acho que deixa um desconforto que poderia ser amenizado com um pouco mais de explicações.

SERPENTÁRIO é um terror raiz, que irá fazer você ter arrepios, que fará você olhar para trás, que obrigará você a deixar as luzes acesas de noite, que provocará em você a sensação de que não está sozinho. E no final da história, você ficará confuso, sem ter certeza de que compreendeu tudo o que leu, e terá que dar uma nova passada em algumas páginas, apenas para sentir todo o medo novamente. Amei!


AVALIAÇÃO:


AUTOR: Felipe CASTILHO
EDITORA: Intrínseca
PUBLICAÇÃO: 2019
PÁGINAS: 368


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Carlos Barros

Sou o Carlos e tenho várias paixões, como livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

8 Comments Deixe um comentário

  1. Olá! Resumindo não é o livro para mim (risos, de nervoso). Definitivamente essas é uma daquelas leituras que eu normalmente preciso sair correndo. Com o tanto de susto que a pessoa vai ter durante a leitura acho que dá para compensar esse final um tanto quanto confuso.

  2. Adoro!!!rs
    E esta é a primeira resenha que leio deste livro. Já estou mandando para a lista dos desejados.
    Amo o terror escrito, esse sentir medo de verdade(tá, sou medrosa para filmes, séries, admito sem vergonha)
    Mas o lance de virar a página e não saber o que será encontrado, me fascina.
    O passado sempre bate à porta, ainda mais quando um amigo é esquecido para trás!rs
    Espero poder conferir o livro o quanto antes!
    Beijo

  3. Olá Carl!
    Nada melhor do que um livro de terror para comemorar o mês de outubro, né? Serpentário, embora seja mais um de diversos livros cujos personagens alternam entre crianças e adultos, consegue surpreender pela variedade de elementos sobrenaturais com a qual trabalha, de modo que o leitor fica atento a todo momento procurando algo que não está certo.
    Descobrir os mistérios que mudaram completamente a vida do grupo com certeza é o clímax da obra, e embora o final não tenha sido capaz de responder todas as perguntas, nos deixa animados para uma possível continuação.
    Beijos.

  4. Carl!
    Livro bem propício para a data, terror puro.
    É por isso que gosto muito dos livros infantos juvenis, porque são sempre carregados de aventuras e aqui de mistérios e suspense.
    Gosto de quando o autor usa passado e presente, porque amplia a visão de tudo que aconteceu no passado e acontece agora no presente.
    Uma pena que algumas coisas ficaram em aberto, será que vai ter continuação?
    cheirinhos
    Rudy

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