MATADOURO-CINCO

27 de abril de 2019
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3 min de leitura

MATADOURO-CINCO é um clássico da ficção científica, tendo sido escrito em 1969 por Kurt Vonnegut. A obra completou 50 anos recentemente e recebeu essa edição de tirar o fôlego da editora Intrínseca, incluindo capa dura, corte branco, ilustrações e nova tradução com ótima qualidade.

O livro aborda o final da Segunda Guerra Mundial, envolvendo o massacre da cidade de Dresden, um evento pouco conhecido que provocou muitas mortes e total destruição do lugar. A história é contada por um ex-soldado que narra a vida de Billy Pilgrim, prisioneiro de guerra do Matadouro-5 e sobrevivente ao massacre.

A cidade de Dresden foi completamente devastada: o número de mortos é equivalente ao da bomba atômica de Hiroshima, e boa parte das casas e construções da cidade, inclusive a igreja, ficaram em ruínas. No entanto, essas cenas de destruição estão ausentes na literatura alemã…

Ao longa da leitura, descobrimos como era a vida de Billy antes da guerra, sendo um optometrista rico e casado que levava uma vida tranquila, até o momento em que foi para a batalha e se deparou com tanta morte e miséria. Após sofrer um acidente e ter um traumatismo crânio-encefálico, ele começa a fazer viagens no tempo, podendo ver seu próprio futuro ou passado e depois voltar para o presente novamente.

Quando Pilgrim retorna para casa, afirma ter sido abduzido por alienígenas do planeta Tralfamadore e sido mantido em cativeiro por seres estudiosos do espaço-tempo e especialistas em quarta dimensão que ensinaram a ele sobre as quatro dimensões do tempo e sobre a morte.

No entanto, tudo isso ocorre somente na mente do protagonistas, o que pode ser visto como uma válvula de escape encontrada para fugir dos momentos trágicos da guerra que ele era obrigado a vivenciar, provocando um distúrbio de estresse pós-traumático. E, ao longo da narrativa, nos deparamos inúmeras vezes com a frase: “É assim mesmo!“, dita por diferentes pessoas, indicando a forma como os soldados precisam se resignar aos conflitos para se protegerem.

É tão interessante o envolvimento de fatores psicológicos na história, porque nos permite uma visão bastante antagônica da linguagem simplista do autor; a guerra é algo muito mais profundo que afeta o ser humano de forma indescritível. Apesar de tanta indiferença dos envolvidos, há sentimentos muito mais profundos, como a saudade de casa, dos filhos, esposas, pais e mães, medos… Eles supostamente se acomodam a todo tipo de extermínio como mecanismo de defesa para suas mentes fragilizadas.

Rosewater, por exemplo, abateu a tiros um bombeiro de 14 anos por confundi-lo com um soldado alemão. É assim mesmo. E Billy tinha testemunhado o maior massacre da história europeia, o bombardeio incendiário de Dresden. É assim mesmo. Ambos estavam tentando reinventar a si mesmos e ao seu universo.

O livro tem um enredo bastante singular que vai e volta no tempo constantemente, indo ora para o passado, ora para o presente e ora para o futuro. A narrativa não é nada linear, o que pode ser um pouco confuso às vezes, mas evidencia as consequências que a guerra teve na vida de soldados que sobreviveram aos eventos traumáticos sucedidos.

É uma história pesada sobre a grande guerra, em que atrocidades se desenrolam na vida dos personagens, mas eles veem tudo com conformismo por terem se habituado a toda aquela miséria, sempre pensando: “É assim mesmo!”.

Assim, isso permite ao leitor incontáveis interpretações e reflexões sobre essas tragédias.

Apesar dos capítulos longos, a leitura é rápida, sendo dividida em partes que se referem a períodos e lugares diferentes. Não achei confuso, porque o escritor divide bem os espaços aos quais se refere em cada trecho, mas é necessário ter um ritmo bom de leitura a fim de não perder os detalhes lidos anteriormente.

Confesso que tinha altas expectativas para MATADOURO-CINCO, no entanto foi uma grande decepção me deparar com trechos tão desconexos e aleatórios em algumas partes; além disso, o protagonista Billy Pilgrim não me agradou nem um pouco. Por outro lado, fiquei encantada com a inclusão de aspectos psicológicos ao longo da narrativa e a exposição de momentos tão chocantes da Segunda Guerra. É importante que quem se sentir interessado vivencie essa experiência de leitura e construa sua própria opinião acerca do texto.


AVALIAÇAO:


AUTOR: Kurt VONNEGUT JR. foi um escritor estadunidense de ascendência germânica. Concluída a formação em Química, alistou-se no exército e combateu na Segunda Guerra Mundial. Feito prisioneiro, presenciou o bombardeamento de Dresden. Após a Guerra, formou-se em Antropologia. É autor de vários romances, ensaios e peças de teatro. Sua última obra foi Look at the Birdie de 2009, livro póstumo com uma coleção de contos e ensaios. Vonnegut morreu em 11 de abril de 2007, semanas após uma queda em sua casa em Manhattan que resultou em graves complicações cerebrais.
TRADUÇAO: Daniel PELLIZZARI
EDITORA: Intrínseca
PUBLICAÇAO: 2019
PÁGINAS: 288


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Sara

Sara, sou mineira, bookaholic e futura fisioterapeuta. Sou apaixonada pela vida e por tudo que ela nos oferece. Ler, viajar, conversar, dançar, comer e dormir são algumas das coisas que mais amo.

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