O COLECIONADOR

16 de agosto de 2018
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2 min de leitura

O COLECIONADOR foi o grande romance de estreia de John Fowles, lançado em 1963, que entrou para a lista de best-sellers internacionais. É considerada obra fundamental dos anos 60, englobando vários questionamentos à cultura e sociedade da época, e valorizando a reflexão e quebra de paradigmas.

Frederick Clegg é um protagonista bem excêntrico… Foi criado pelos tios, não teve uma infância muito agradável e sempre sofreu bullying nos lugares que frequentava. Tornou-se um homem perturbado e solitário que coleciona borboletas. Um dia, ele vê Miranda Gray pela janela de seu trabalho e se apaixona perdidamente pela linda jovem estudante de artes; então, começa a persegui-la, a fim de descobrir tudo sobre ela.

Inicialmente, Clegg demonstra seu amor pela garota sem nenhuma intenção maldosa, mas, aos poucos, vemos traços de sua insanidade aparecerem, até que um dia, ganha na loteria e decide sequestrá-la. Ele compra um velho chalé em Sussex e transforma o porão um quarto luxuoso, que servirá de prisão para Miranda, sua “hóspede“. Diferente do que muitos possam imaginar, ele não objetiva fazer mal ou se aproveitar dela; apenas planeja proporcionar momentos a sós para que Miranda possa se apaixonar por ele. Para este fim, faz de tudo para agradá-la, dando-lhe vários presentes e mimando-a constantemente.

Pensei: nunca chegarei a conhecê-la de um jeito comum, mas se ela estiver comigo, verá meus pontos fortes, ela entenderá.

O livro tem dois pontos de vista: o do sequestrador; e o da vítima. Essa artimanha de Fowles foi muito inteligente, permitindo ao leitor compreender o que se passa na cabeça de cada personagem, além de deixar a narrativa mais instigante. Acompanhamos as ideias e sentimentos de ambos, principalmente de Miranda em seu isolamento (que escreve um diário); é como se ela fosse enlouquecendo com a solidão, disposta a tudo para viver e fugir dali, assim como o sequestrador fica cada vez mais perturbado com o fato de ser um criminoso.

O escritor constrói um Clegg desequilibrado, incapaz de discernir o certo do errado, extremamente egoísta. Ele chega a fazer referência à sua vítima como se fosse uma borboleta que capturou: “Vê-la sempre me fez sentir como se capturasse um espécime raro, me aproximando bem silenciosamente, com o coração na mão…“. Miranda é a loucura de Frederick, e ele deseja adicioná-la à sua coleção, como uma rara borboleta.

Apesar de ser um livro antigo, John Fowles trata de temas atuais, como feminismo, luta de classes, solidão, liberdade… Além de levantar questionamentos importantes por meio de Miranda e Frederick acerca de dinheiro, felicidade, sentimentos e contextos sociais diferentes. Achei muito interessante o autor fazer referências à livros clássicos, teatro, música e obras de arte, arquitetando um cenário cultural muito bacana e dando asas à imaginação do leitor.

A edição deste clássico está primorosa! Com capa dura, várias ilustrações belíssimas, diagramação boa, introdução exclusiva escrita por Stephen King, posfácio e conteúdo extra sobre as referências usadas pelo autor.

Os fãs de clássicos perturbadores vão adorar se aventurar pelo mundo insano criado por John Fowles nesta obra.


AVALIAÇÃO:


AUTOR: John FOWLES foi um escritor e novelista inglês, que trabalhou como professor até a publicação de seu primeiro romance, “O Colecionador”, em 1963. Suas obras são consideradas singulares por muitos críticos, pois traçam uma ponte entre a literatura moderna e pós-moderna. O trabalho de Fowles recebeu influência decisiva de Albert Camus e Jean-Paul Sartre.
TRADUÇÃO: Antonio TIBAU
EDITORA: Darkside
PUBLICAÇÃO: 2018
PÁGINAS: 256


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Sara

Sara, sou mineira, bookaholic e futura fisioterapeuta. Sou apaixonada pela vida e por tudo que ela nos oferece. Ler, viajar, conversar, dançar, comer e dormir são algumas das coisas que mais amo.

24 Comments Deixe um comentário

  1. Muito insano mesmo!! Clegg é o retrato de um homem realmente perturbado psicologicamente. Aquele tipo de pessoa que acha que está fazendo coisas boas para que alguém goste dela. Porém, não é nada disso que ele faz. Até porque, quem amaria alguém que está te mantendo em cárcere privado? Se bem que tem gente pra tudo não é mesmo? Rsrs
    Gosto bastante quando a história tem narrativa dividida pelos personagens. Isso nos ajuda muito a entender o ponto de vista de cada um.
    Amei essa edição!! Esta maravilhosa.
    O Colecionador é um best-seller que vale a pena ler.

    • Oi, Larissa. Com certeza! kkkkk Nessa obra, o ponto de vista de ambos os protagonistas foram muito importantes para compreendermos a história como um todo, ainda mais porque o autor explorou muito a parte psicológica dos personagens. A edição está encantadora! Beijos.

  2. Oi, Sara,

    O autor conseguiu nos colocar à parte de uma história, onde podemos ver o que a obsessão pode fazer com alguém e o quanto ela se torna extremamente perigosa.

    O ponto de vista do Frederick é uma parte ‘importante’ do livro, para que o leitor possa adentrar em sua sórdida e doentia mente – cujo emocional é totalmente instável. Embora, não compreensível…

    E o ponto de vista da Miranda, acredito eu, que despertará no leitor uma variação de sentimentos. Afinal, estamos falando de uma personagem que teve sua vida virada do avesso, mudada sem precisão de momento e que se encontra em uma situação inimaginável.

    • Oi, Daiane. Algo que é defendido por Clegg é que todos tem uma obsessão, uma loucura que não põe em prática por falta de tempo e dinheiro, então, quando conseguem essas duas coisas… Particularmente, gostei muito do ponto de vista dele e odiei algumas páginas narradas por Miranda (que menina chata!!!) kkkkkkkkkkk. Mas faz toda a diferença vermos os dois lados. Beijos.

  3. Insano! Perurbafie! Apavorante! É o que senti lendo a resenha. E não é que fiquei interessada em ler??
    Só mesmo o Gettub pra me fazer sair da minha zona de conforto literária e me aventurar graças às resenhas incríveis.

    • Oi, Michelle. É um clássico muito bacana, que explora o psicológico (doentio) do ser humano. Vale a pena conferir! Ficamos muito felizes por gostar das resenhas. =) Beijos.

  4. Desde que li a resenha deste livro a primeira vez, já o coloquei na lista de desejados. Esse lance de deixar o leitor apreensivo com o que encontrará, é algo que me atrai muito.
    Até onde vamos para “conseguir” o que desejamos? Sim, nós temos limites. Mas e quem não os tem??
    A capa deste livro é maravilhosa realmente e não vejo a hora de poder conferir!
    Beijo

    • Oi, Angela. Vale muito a pena ler esse livro, um bom clássico, ainda mais nessa edição maravilhosa! O mais bacana é que o autor explorou muito o psicológico dos personagens, questionando os limites humanos… Espero que leia e goste. Beijos.

  5. Olá Sara!!
    Amei essa edição, pelo que venho lendo sobre a obra, o autor acertou em cheio no enredo, como amo o gênero estou ansiosa pra ler.
    Bjs!

    • Oi, Flavya. Fico muito contente por ter gostado da resenha! =) Vale a pena ler, com toda certeza, é um clássico cheio de reflexões e críticas. Espero que leia e aprecie! Beijos.

  6. Ahhh, to muito ansiosa para ler este livro, estou esperando o meu chegar, é provável que seja minha próxima leitura. Acho que vai ser uma história meio ”doentia”, mas enfimmm. E a capa ta maravilhosa!

    • Oi, Maria Eduarda. Quando vi o lançamento da obra fiquei muito ansiosa pela leitura também. É uma ótima leitura que vale a pena ser feita. Espero que goste! Além de que a edição está primorosa. Beijos.

  7. Olá! Esse sem dúvida é um daqueles livros que me ganhou pela capa (simplesmente maravilhosa), e para ficar ainda melhor traz um enredo tão perturbador que com toda certeza não vai permitir que eu o largue até descobrir todo o desfecho.

  8. Assisti o filme quando era criança, acho que eu tinha uns 10 anos mais ou menos, agora tenho 55 . Sei o que acontece no final kkkk.

    • Oi, Mara. Ainda não assisti ao filme, mas quero muito ver para verificar se a história é fiel a do livro, pois me encantou o final! Beijos.

  9. Oi, Sara!!
    Nossa, que clássico mais incrivel!! A história é sem dúvida impactante!! E essa nova edição pela editora Darkside e maravilhosa demais!!
    Bjos

  10. Esse livro é me traz um sentimento ambíguo.
    Quero ler muito. Mas também não quero! kkkk
    Parece ser superperturbador, de dar medo e muito incômodo.
    Porém, gostei demais da sua resenha e de outras dele que já li, e todas me deixam muito interessada , principalmente, porque ele tem jeito de ser aquele livro que por mais que te dê medo e certos incômodos, também te faz pensar mais. Refletir mesmo.
    Vamos ver se tomo coragem e leio kkkk
    bjss

    • Oi, Ana. “O colecionador” é uma obra que desestabiliza o leitor, desperta vários sentimentos na gente ao longo da leitura. Em alguns momentos você ama um personagem e, de repente, começa a odiá-lo… Mas acredito que é justamente por isso que se tornou um clássico, porque toca os sentimentos mais estranhos do ser humano. Espero que leia e goste. Beijos.

  11. Eu achei muito interessante no livro essa questão da possibilidade entre pessoas a paixão chega a ser tanta que você começa a perder o juízo Achei bem interessante essa edição da Darkside ficou bem bonita mesmo já me interessei de imediato

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