INVENCÍVEL A ASCENSÃO E A QUEDA DE STAN LEE

11 de novembro de 2021
129K views
2 min de leitura

A geração atual que não lê quadrinhos, conhece Stan Lee como aquele velhinho simpático que aparece por dois segundos em todos os filmes da Marvel. Um homem amável, sorridente, sempre de óculos escuros, aquele vovô que todos nós queremos amar. Bem, INVENCÍVEL A ASCENSÃO E A QUEDA DE STAN LEE pode trazer uma nova perspectiva para essa visão.

A biografia escrita por Abraham Riesman se concentra em demonstrar que Stan Lee era um personagem tão ficcional quanto os heróis que ele criou. Uma caracterização para o público diferente do homem que realmente era. E isso não é tão surpreendente, uma vez que a enorme maioria dos artistas, cantores, possuem essa máscara pública. Uma forma de defesa, uma personalidade falsa, há maneiras diferentes de encarar esse fato.

Entretanto, apesar dessa dualidade, Stan Lee é caracterizado como grande parte do que ele demonstrava, um homem sensível, dedicado à família, talvez demasiado ingênuo, um possível reflexo das fantasias que ele criava para seus personagens mais famosos, Homem-Aranha, Homem de Ferro, Pantera Negra, Hulk e mais uma dezena de outros.

A biografia deixa bem explicado como era o processo de criação de cada personagem e cada história, bem como o fato de que Stan Lee não criou sozinho. Várias capítulos se concentram em explicar como eram as criações das histórias, a escolha dos desenhistas, o quanto cada artista dedicava a cada personagem, e com quem ficavam os maiores créditos. No caso de Lee, os maiores esquecidos foram Jack Kirby e Steve Ditko. Hoje, a indústria e os fãs reconhecem a parcela criativa que os dois tiveram nos personagens, antes, dados apenas a Stan Lee.

Mas é inegável o talento e a importância de Stan Lee. Ele foi editor-chefe e presidente da Marvel, durante os anos de 1960, ele foi responsável pela edição e escrita da maioria dos quadrinhos da editora.

O drama final de Stan Lee se deu no final de sua vida. Apesar de ter criado personagens incríveis, ter possibilitado que a Marvel ganhasse bilhões, ele estava na falência, dono de empreendimentos fracassados, processos judiciais e cercado por pessoas que só desejavam se aproveitar de sua fama e contatos, totais vigaristas, criminosos. Lee morreu aos 95 anos, em 2018.

INVENCÍVEL A ASCENSÃO E A QUEDA DE STAN LEE destrincha quase toda a vida de Stan Lee em ordem cronológica. Possui uma nota introdutória quanto à tradução e uma introdução, escrita pelo autor, para uma melhor compreensão do que será lido nas páginas seguintes. A leitura é válida para qualquer fã de quadrinhos, de cinema, que deseja compreender quem foi esse homem indispensável para a indústria do entretenimento, mas também para compreender como se deu a produção dos quadrinhos nas décadas passadas e em como a fama e o mau uso dela, podem levar para um caminho de sucesso, mas nem sempre feliz ou recompensador.


AUTOR: Abraham RIESMAN
TRADUÇÃO: André GORDIRRO
EDITORA: Globo
PUBLICAÇÃO: 2021
PÁGINAS: 400


COMPRAR: Amazon


Carlos Barros

Sou o Carlos e tenho várias paixões, como livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

Deixe um comentário

Your email address will not be published.

REDES SOCIAIS

Mais Lidos

4

A PACIENTE SILENCIOSA

21 de julho de 2021
Gabriel é um fotógrafo talentoso e conhecido, que faz trabalhos para revistas famosas. Alicia é uma pintora excepcional, seus quadros possuem características
5

GENTE ANSIOSA

7 de outubro de 2021
Dez anos atrás, um homem pulou de uma ponte e morreu. Um garoto presenciou tudo, mas não conseguiu chegar a tempo de

Publicações Mais recentes

9 de junho de 2026

VERSUS — LIMITE DA HUMANIDADE

“Versus” é um mangá construído sobre uma quebra de expectativa bem direta. À primeira vista, ele se apresenta como uma fantasia de guerra contra demônios: a humanidade vive há séculos sob o domínio do Grande Senhor Demônio e de seus 47 generais, enquanto 47 heróis são escolhidos para tentar reverter
30 de maio de 2026

A INQUILINA — TENSÃO E ARTIFÍCIO

Em “A Inquilina”, Freida McFadden trabalha outra vez com o tipo de suspense doméstico que a transformou em fenômeno editorial: um ambiente privado, aparentemente banal, que vai se contaminando por desconfiança, manipulação e medo.
Ir paraTopo

Não perca

QUERIA MORRER, MAS NO CÉU NÃO TEM TTEOKBOKKI — O PESO DE EXISTIR

“Queria Morrer, mas no Céu não tem Tteokbokki” é um

O CONSENTIMENTO – AQUELE QUE SE COLOCA ACIMA DA LEI

Há trinta anos, Vanessa Springora foi a musa adolescente de