O LAGO DO AMOR – UM ROMANCE COM SENSIBILIDADE

9 de dezembro de 2025
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3 min de leitura

Keyanna MacKay viaja para a Escócia depois da morte do pai, levando quase nada além de uma história de ninar sobre um monstro do lago Ness e o nome de uma avó que ela nunca conheceu.

Ela chega ali para procurar respostas e acaba encontrando Lachlan Greer, um escocês mal-humorado que sente mais do que admite e que parece estar preso ao mesmo passado que ela tenta desvendar. No meio disso, lendas, segredos de família e uma atração inevitável tornam o cenário perfeito para um romance que mistura fantasia leve com a sinceridade de duas pessoas tentando entender quem são.

Tem autoras que a gente lê sabendo exatamente o que vai encontrar, e ainda assim elas conseguem surpreender com um detalhe ali, outro aqui, um jeitinho novo de fazer o que já fazem bem. A Lana Ferguson é assim para mim. Ela tem esse talento de pegar uma comédia romântica, dar uma roupagem leve de fantasia e entregar uma história que você lê praticamente num fôlego só. “O Lago do Amor” segue essa linha: um romance com esse toque de fantástico que não te arranca da realidade, só desloca tudo uns milímetros para o lado, onde as coisas ficam mais estranhas e, ao mesmo tempo, mais sinceras.

O monstro do lago Ness: uma criatura lendária de proporções colossais supostamente encontrada nas profundezas do lago Ness.

Lana brinca com o absurdo sem transformar o livro numa bagunça explicativa. A escrita dela é fluida, leve, fácil. Mesmo quando ela introduz monstros e maldições, tudo continua muito acessível. Você lê rápido, não por ser simples, mas porque ela não enche sua cabeça de informações que não precisa. É aquele fantástico pé-no-chão que eu adoro.

E aí vem o Lachlan. Eu já sabia que ia gostar dele, porque a Lana tem esse padrão muito específico: homens viris por fora e muito sentimentais por dentro. Não são machões rasos. São pessoas que sentem tudo, mesmo tentando disfarçar. É irresistível. O Lachlan tenta manter a pose, mas basta um empurrãozinho para desmontar completamente essa fachada.

Eu poderia muito bem ter deixado essa pentelha ser devorada. Mas nããão.

Esse humor meio resmungão, meio carinhoso sem querer, sempre funciona comigo. A relação entre ele e a Key cresce com naturalidade. E eu achei engraçado porque, desde o começo, para mim estava muito claro que ela era a chave de tudo. Literalmente. E mesmo sendo óbvio, isso não tirou a graça. Às vezes, quando a história abraça o óbvio, ela entrega melhor. A expectativa vira parte do prazer da leitura, e a Lana conduz isso muito bem. Eu sabia onde ia chegar, mas os caminhos que ela escolheu me mantiveram presa.

E quando finalmente o livro entra na parte emocional, ele entrega. Nada grandioso, nada exagerado. Só sinceridade cotidiana.

Seja lá o que aconteça, Key, não vai mudar o quanto eu te amo.

E sim, eu preciso falar dos hots. A Lana é safada na medida que me agrada. Não é tímida, não é envergonhada, não fica escrevendo metáforas esquisitas sobre natureza. Ela é direta, explícita na medida certa, e muito mais ousada do que geralmente se vê no romance gringo. Eu achei isso divertido, natural e muito coerente com o resto da narrativa.

No fim, “O Lago do Amor” é exatamente aquele tipo de livro que eu pego quando quero algo rápido, leve e envolvente. Ele não é o meu favorito da autora, já li coisas dela que me marcaram mais, mas esse aqui me deixou feliz. Gostei da história, gostei do ritmo, gostei dos personagens e gostei do equilíbrio entre fantasia e vida mundana. Foi uma leitura fácil, gostosa e cheia de pequenos detalhes que funcionam.

Três estrelas e meia bem dadas, porque foi exatamente o que eu queria naquele momento, e porque a Lana, mais uma vez, soube me entregar um romance com sensibilidade, humor e um toque sobrenatural que não pesa.


AVALIAÇÃO:


AUTORA: Lana Ferguson
TRADUÇÃO: Gabriela Peres Gomes
EDITORA: Globo Livros
PUBLICAÇÃO: 2025
PÁGINAS: 384
COMPRE: Amazon

Isabella Santa Rosa

Sou a Isabella Santa Rosa, jornalista e leitora voraz. Leio para entender, para sentir, para respirar um pouco melhor. Entre um projeto e outro, estou sempre com um livro na mão, físico ou digital. Histórias são meu jeito favorito de viver no mundo.

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