A ÚLTIMA FESTA

22 de abril de 2020
131.4K views
2 min de leitura

Todo ano, nove amigos comemoram o réveillon juntos. Desta vez, apenas oito vão voltar para a casa depois da festa. Programado para acontecer em um cenário idílico, as conhecidas Terras Altas, na Escócia, o réveillon que Miranda, Katie e os outros amigos que conheceram na faculdade passarão juntos este ano promete refeições deliciosas regadas a champanhe, música, jogos e conversas descontraídas. No entanto, as tensões começam já na viagem de trem – o grupo não tem mais nada em comum além de um passado de convivência, feridas jamais cicatrizadas e segredos potencialmente destrutivos.

A narrativa de A ÚLTIMA FESTA é feita por mais de um personagem, cinco na verdade, que narram os eventos que antecederam o assassinato e, depois, suas consequências. Às vezes em primeira pessoa, e outras em terceira pessoa. Miranda, Katie, Julien, Mark, Bo, Samira, Giles, Nick e Emma são amigos, ou pelo menos fazem que são, uma vez que as relações entre eles está abalada por mágoas e ressentimentos do passado. Miranda é casada com Julien, e Mark é casado com Emma. Temos também Heather, que é quem hospeda o grupo na pousada, e Doug, uma espécie de faz tudo.

Todos eles possuem segredos no passado, pequenos e grandes traumas, e todos estão ligados de alguma forma. Quando acontece uma nevasca que prende todos no chalé, sem qualquer chance de poderem sair, as coisas começam a sair do controle. E então, em meio à grande festa da última noite do ano, o fio que os mantém unidos enfim arrebenta. No dia seguinte, alguém está morto e uma forte nevasca impede a vinda do resgate. Ninguém pode entrar. Ninguém pode sair. Nem o assassino.

O ponto de destaque é a constatação de que ninguém é perfeito, que todos possuem algo de tenebroso no passado, e esse algo, um dia volta para cobrar. A diferença é saber lidar com isso. Alguns sabem. Outros preferem fazer algo de terrível. E a autora passa todas as informações necessárias para que o leitor consiga descobrir quem foi o assassina e quais foram suas motivações. Faz de forma cuidadosa, bem discreta, então é necessário um pouco de atenção para conseguir identificar essas pistas.

Além de tentar desvendar o mistério, e talvez essa seja a parte mais difícil, é preciso identificar o que é verdade e o que é mentira nas narrativas. Como são de vários personagens, e sendo todos eles suspeitos, como saber quem é confiável e quem está se protegendo?

Existem algumas particularidades na forma de contar a história, como o fato das narrativas em primeira pessoa serem todas feitas por personagens femininas, e a dos masculinos, em terceira pessoa. Outra diferenciação é não saber quem morreu e quem matou, uma vez que os narradores nunca dão nome à vítima, apenas a referenciam como “o corpo”.

O clímax traz a tão aguardada revelação que, sim, consegue causar uma reviravolta e uma consequente surpresa. Tudo isso transforma A ÚLTIMA FESTA em um thriller competente, no melhor estilo Agatha Christie, como é prometido nas divulgações da obra. A forma criativa de contar a história é um ponto a mais e que causa uma certa ansiedade pela quantidade de desinformações que recebemos. Se você é fã do gênero, não perca. E se não for, é uma ótima opção para sair de sua zona de conforto.


AUTORA: Lucy FOLEY
TRADUÇÃO: Marina VARGAS
EDITORA: Intrínseca
PUBLICAÇÃO: 2020
PÁGINAS: 304


COMPRAR: Amazon


Carlos Barros

Sou o Carlos e tenho várias paixões, como livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

11 Comments Deixe um comentário

  1. Estou doida para conferir este lançamento! Thrillers são minha paixão, tá, apesar de ter várias paixões..rs
    Mas isso de juntar jovens, segredos ocultos,mistério e um morto entre eles. É como estar ali literalmente fechado com o assassino e isso é instigante!
    Outro ponto bem diferente das demais obras do gênero, não saber quem morreu.
    Será que há alguma chance de se tornar filme??
    Beijo

  2. Preciso!!!!! Bem que podia ter resenha premiada hein Carl!
    Gosto de thrillers assim, em que o leitor consegue criar teorias, investigar as pistas e é surpreendido. Bem surpreendido.

  3. CARL!
    Adoro romances policiais mas acredito nunca ter lido um que se passa nos festejos natalinos, vamos ver se é bom.
    Bem diferente o início, já com o fato acontecido, no caso o assassinato.
    Interessante ver que o livro alterna a narrativa em primeira e em terceira pessoa, dá uma visão mais ampla, concorda?
    Tenho mania também de bolar teorias conspiratórias ao ler livros policiais.
    Nossa! Já estou tensa só de acompanhar sua leitura, affe!
    Bacana esse lance de a autora deixar pista e nos surpreendermos no final.
    Gostei!
    cheirinhos
    Rudy

  4. Olá!
    Eu amei esse livro! Vi muitas resenhas dizendo que o enredo era fraco e coisas assim, mas eu me vi presa na história querendo descobrir logo quem era a pessoa por trás do assassinato. E por falar em Agatha Christie, preciso urgentemente conhecer os livros dela. Infelizmente nunca tive oportunidade de ler nenhuma das suas obras, mas tenho muita vontade.

  5. Olá! Eita que estou de olho nesse livro e claro que a resenha me deixou bastante curiosa para conferir logo essa história, ouso dizer (escrever) para lá de intrigante hein e com esse clima bem perturbador, no meu caso eu até tento desvendar o mistério antes do fim, mas nunca que dou bola dentro (risos)!

  6. Olá!
    Esse amarelão da capa é perfeito!!
    Nunca tinha visto isso de esconder quem é a vítima também, fiquei super curiosa com isso. Gosto muito de histórias de investigação, mas sou péssima em descobrir quem cometeu o ato kkkk

  7. Oi Carl,
    gostei de que o livro fica alternando a narrativa entre os personagens, assim a gente tem uma história contada por diferentes visões, que observam diferentes pessoas/coisas… Enfim, todo o suspense e essa sensação de desconfiar de todos é muito intensa e me faz amar esse gênero, principalmente quando o final surpreende.

  8. Olá, Carl
    Faz um tempo que namoro esse livro, o preço está salgado. Esperando uma promoção ou ganhar de presente kkk.
    Depois de ler sua resenha só aumentou minhas expectativas, o enredo cativa o leitor com vários narradores em primeira e terceira pessoa, e todo o mistério que envolve a assassina e o corpo.
    Beijos

Deixe um comentário

Your email address will not be published.

REDES SOCIAIS

Mais Lidos

4

A PACIENTE SILENCIOSA

21 de julho de 2021
Gabriel é um fotógrafo talentoso e conhecido, que faz trabalhos para revistas famosas. Alicia é uma pintora excepcional, seus quadros possuem características
5

GENTE ANSIOSA

7 de outubro de 2021
Dez anos atrás, um homem pulou de uma ponte e morreu. Um garoto presenciou tudo, mas não conseguiu chegar a tempo de

Publicações Mais recentes

9 de junho de 2026

VERSUS — LIMITE DA HUMANIDADE

“Versus” é um mangá construído sobre uma quebra de expectativa bem direta. À primeira vista, ele se apresenta como uma fantasia de guerra contra demônios: a humanidade vive há séculos sob o domínio do Grande Senhor Demônio e de seus 47 generais, enquanto 47 heróis são escolhidos para tentar reverter
30 de maio de 2026

A INQUILINA — TENSÃO E ARTIFÍCIO

Em “A Inquilina”, Freida McFadden trabalha outra vez com o tipo de suspense doméstico que a transformou em fenômeno editorial: um ambiente privado, aparentemente banal, que vai se contaminando por desconfiança, manipulação e medo.
Ir paraTopo

Não perca

REGÊNESE — HQ SOBRE PODER E ESCOLHAS PERIGOSAS

Eu gosto quando uma HQ começa parecendo uma coisa e,

ESCOLA DOS GRITOS — CRÍTICA SOBRE O SILENCIAMENTO FEMININO

Em “Escola dos Gritos”, a escritora malaia Hanna Alkaf transforma