Tricia e Ethan estão em busca da casa dos seus sonhos. Recém-casados, eles vão visitar um casarão antigo no meio de uma floresta no estado de Nova York. No entanto, durante a viagem até a mansão que pertenceu à Dra. Adrienne Hale – uma renomada psiquiatra que desapareceu sem deixar vestígio três anos antes –, uma nevasca terrível começa a cair. Quando chegam ao destino, Tricia percebe de cara que há algo de errado; afinal, por que haveria uma luz acesa no segundo andar de uma casa vazia há tanto tempo?

A tempestade se intensifica, o BMW deles fica coberto pela neve, a corretora de imóveis não aparece, os celulares estão sem sinal, e de repente Tricia e Ethan se veem isolados da civilização. Ali, presos na casa, temores e segredos que nenhum dos dois teve coragem de compartilhar com o outro ameaçam vir à tona. Eles só não imaginavam que a casa também guardaria os próprios mistérios.

Em busca de um livro para se entreter, Tricia recorre às estantes abarrotadas e descobre por acaso um cômodo secreto, também repleto de estantes, mas, em vez de livros, o que encontra são fitas cassete: elas contêm gravações de cada consulta da Dra. Adrienne Hale. Tricia começa a ouvi-las uma a uma e acaba montando um quebra-cabeça aterrorizante, o que a distrai momentaneamente da sensação desconfortável de que não estão sozinhos.

Qual foi o destino da antiga proprietária da casa? Ela ainda está viva? Está escondida em algum lugar? Foi morta pelo namorado da época, como os jornais levaram a acreditar, ou assassinada por um de seus pacientes? E será que, ao pisar nessa casa, Tricia e Ethan correm o risco de protagonizar um novo capítulo dessa história nefasta?

Nunca minta” é o sétimo livro que li de Freida McFadden em menos de um ano, e ela ainda consegue me surpreender com suas histórias. É verdade que a maioria dos livros dela, mesmo com finais inesperados, seguem uma estrutura parecida na criação dos personagens e na narrativa, mas nem todos são assim. “Nunca minta” é uma exceção. A história é original e diferente, e a autora aproveita bem o fato de ser um livro para não descrever fisicamente os personagens, usando isso para confundir o leitor com os nomes e identidades, fazendo com que a gente se questione sobre quem é quem.

Nunca minta” alterna capítulos narrados em primeira pessoa por Tricia, no presente, e por Adrienne, no passado. Além disso, há trechos que são transcrições de fitas cassete com gravações das consultas feitas por Adrienne. Nessas gravações, os personagens não têm nomes completos, apenas iniciais, e a autora usa isso de um jeito esperto para confundir o leitor sobre quem são essas pessoas e qual a ligação delas com Tricia e Ethan. E, claro, o casal não está na casa da psicóloga por acaso. A nevasca é só mais um detalhe para justificar o que acontece ali.

Ao longo do livro, o leitor precisa descobrir como as histórias das fitas estão ligadas a Tricia e Ethan, por que eles estão na casa de Adrienne, o que aconteceu com Adrienne para ela sumir e quem são as pessoas das fitas. A autora espalha pistas pela narrativa, e o leitor tem toda a capacidade de desvendar o mistério sozinho. É só ficar atento e não pensar que as iniciais dos nomes nas fitas são só uma coincidência, ou que Tricia escolhe as fitas para ouvir sem nenhum critério.

Nunca minta” traz algumas novidades que o tornam diferente dos outros livros da autora. Uma característica comum nas histórias dela é a presença de uma heroína, ou pelo menos de alguém que tenta ser uma. “Nunca minta” quebra esse padrão e surpreende ao revelar os segredos e mostrar quem os personagens realmente são. E vai além ao não julgar ou condenar as ações deles, simplesmente encerrando a história com a ideia de que nem sempre os “maus” perdem.

No final, “Nunca Minta” é um livro que prende a atenção, com reviravoltas que quebram as expectativas e personagens que fogem dos clichês. A maneira como a autora constrói a narrativa, misturando passado e presente, e como brinca com as identidades dos personagens, fazem da leitura uma experiência diferente dos outros livros dela. “A Empregada” ainda é meu favorito, principalmente pela simpatia e empatia que a personagem principal desperta. Acho que “Nunca Minta” não ocupa o primeiro lugar justamente porque, depois de descobrir quem são os personagens e o que fizeram, fica difícil ter empatia por eles. E, talvez, esse detalhe, mesmo me incomodando, mostre que “Nunca Minta” consegue ser até superior a “A Empregada”.


AVALIAÇÃO:


AUTORA: Freida McFadden
TRADUÇÃO: Irinêo Baptista Netto
EDITORA: Record
PUBLICAÇÃO: 2025
PÁGINAS: 280
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