O MENINO NA PONTE

28 de agosto de 2020
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2 min de leitura

O livro O MENINO NA PONTE é uma ficção-científica que se passa no mesmo ambiente de A MENINA QUE TINHA DONS. É uma história sobre cientistas e militares que iniciam uma jornada a bordo do Rosalind Franklin em busca da cura para um fungo, o Ophiocordyceps unilateralis, que se difundiu pelo mundo, criando um novo modo de vida, em que os não infectados tentam de todo modo se proteger para não acabarem como zumbis.

Uma característica muito interessante é que o autor tenta sempre trazer os aspéctos científicos com uma lógica que realmente parece bem “possível” de acontecer. As justificativas sobre como o fungo se comporta, os efeitos que causa no corpo, as medidas que conseguiram para ter um mínimo de controle, todos são cientificamente, na medida do possível, coerentes. A tripulação do Rosalind Franklin é dividida basicamente em dois grupos, mas que sempre atuam em conjunto: os cientistas e a parte de defesa e controle. Eles possuem dois comandantes, um civil e outro militar, que nem sempre estão em acordo sobre as decisões tomadas. Além deles, há Stephen Greaves, um jovem que foi resgatado pela epidemiologista Samrina Khan em um ataque e, desde então, também faz parte da tripulação.

É complicado definir Greaves como o único personagem principal, primeiro porque é uma história com uma quantidade limitada de personagens além da tripulação. O segundo motivo é que os capítulos, sempre narrados em terceira pessoa, variam o foco a depender do momento, permitindo que se costure a história de uma forma mais compreensível. Ainda assim, Greaves se mostra como uma das maiores promessas na busca pela cura para o fungo, primeiro por ter desenvolvido um gel bloqueador que permite uma espécie de camuflagem, e segundo por sua percepção “fora da caixa” sobre o problema.

A questão é que o resto da tripulação não enxerga esse potencial em Greaves. Na realidade, acabam tomando-o até mesmo como atraso. Isso complica, não só em suas pesquisas, mas em como contar para os outros sobre seus avanços, já que são realizados de forma extraoficial. Essas situações nos fazem ter aquela ansiedade em chegar nos trechos que ele é o foco, porque são os trechos em que as descobertas realmente acontecem, mas também nos deixam com certa angustia para saber como ele enfrentará o problema.

Acredito que quem ler O MENINO NA PONTE no momento atual, ou até mesmo depois de 2020, correlacionará a história do livro com a pandemia que estamos passando. Isso pode ser bom ou ruim, a depender do leitor, pois para alguns pode ser um momento de reflexão (mais abstrata) sobre o que temos vivenciado. Por outro lado, também pode ser motivo de ansiedade para algumas pessoas, então é muito importante avaliar se você está em busca de distração da realidade ou de tentativa de compreensão sobre ela.

Eu demorei um pouco mais para ler O MENINO NA PONTE, devido a um ou outro detalhe mais científico, que me tomava alguns instantes para reflexão, mas no geral a história é bastante instigante. Os capítulos não são curtinhos, mas também não são muito extensos, e o famoso “só mais um capítulo” me acompanhou durante toda a leitura. Os livros de ficção científica não são minha primeira escolha, mas confesso que me apaixonei por esse.


AUTORA: M. R. CAREY
TRADUÇÃO: Edmundo BARREIROS
EDITORA: Fábrica231
PUBLICAÇÃO: 2020
PÁGINAS: 384


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Ana Lu

Meu nome é Ana, tenho 19 anos, estudo pra me tornar médica e sou apaixonada por livros desde pequena (não que tamanho seja algo de sobra). Escrever é como prender um pedacinho da alma no papel e quando não estou mergulhada nesse mundo tento ver o arco iris em meio às tempestades.

6 Comments Deixe um comentário

  1. Eu sempre admiti que tenho uma certa dificuldade com ficção científica, minha leseira é um problema rs
    Mas vivo me cobrando, pois com certeza, é um gênero que instiga e só por isso, já deveria ser motivo da gente desejar ler.
    Eu não conhecia esse livro e não imaginei de jeito nenhum essa “quase comparação” com o momento de pandemia. Mas oh, para quem como eu, mesmo enfrentando as crises de ansiedade,depressão e afins, ainda busca filmes com epidemias, acho que o livro é um prato cheio que sim, pretendo devorar!!!!
    Beijo

  2. Que início macabro e que lembra tanto a realidade, tirando a parte dos zumbis né!? Fiquei até curiosa pra saber como essa história se desenrola e o melhor, como é o final. Esse não é um gênero que eu leio tanto, mas pela quantidade de páginas e também pelo que você trouxe, parece ser uma leitura muito interessante!
    Abraços

  3. Agora entendi as capas no mesmo padrão.
    Já li um livro do MR Carey. Foi interessante mas bem crazy.
    Assim como achei a história bem diferente mas não me despertou a curiosidade

  4. Ana!
    Esse lance de: só mais um capítulo, vai nos consumindo até o final de um livro, não é
    Bem gosto muito de ficção, ainda mais quando a linha de conexão dos fatos e as explicações, são aceitáveis caso estivesse acontecendo no mundo real, ainda mais este, porque fala de um fungo, similiar com a situaão de pandemia que vivemos hoje, pode mesmo ser aterorizante.
    cheirinhos
    Rudy

  5. Olá! Os livros de ficção científica também não são minha primeira escolha, para ser sincera nem a segunda… terceira… e por aí vai, acho os termos utilizados, por vezes, bem complicados, o que consequentemente diminui e muito meu interesse pela leitura. Mas não dá para negar que esse livro em si, chama a atenção justamente por essa similaridade com a nossa realidade.

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