ELEANOR & PARK

19 de fevereiro de 2020
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2 min de leitura

Eleanor se acha gorda, feia, sem atributos para chamar a atenção de algum garoto e sofre bullyng na escola. As roupas que usa refletem seu estado de espírito. Sua vida em casa é complicada, sempre sobre as ameaças do padrasto bêbado e tendo que presenciar a violência dele com sua mãe.

Park é descendente de coreanos, é bonito, adora quadrinhos e vive com seus fones ouvindo música. Sua família é estruturada, e ele recebe o carinho e a atenção que resulta disso. São dois jovens de 16 anos completamente diferentes.

Quando Eleanor entra pela primeira vez no ônibus escolar, o único assento disponível é o de Park. Ele, da mesma forma que todos os outros alunos, ignora Eleanor. Mas Park, ao ler um de seus gibis durante a viagem até a escola, percebe que Eleanor acompanha sua leitura. E essa pequena divisão de interesses, acende aquela chama que faz nossos corações baterem mais forte. Park passa a folhear os gibis mais lentamente, para dar tempo de Eleanor acompanhar. Sempre em silêncio. Mas com o passar dos dias, o silêncio é cortado pela música e pelas palavras trocadas timidamente.

O romance de Eleanor e Park é puro, sincero, sem aquele interesse que surge pela aparência física. Eles se apaixonam pelo que são e não pelo que parecem. Eles valorizam um toque de mãos, um olhar escondido, ficar um ao lado do outro lendo ou ouvindo música sem a cobrança de terem que conversar. Esse é um ponto que diferencia a obra de Rainbow de tantas outras que tratam do amor entre adolescentes. Os dois se aproximam pelas partes que se completam e não pelas que faltam sem darem qualquer importância à aparência.

Enquanto acompanhamos o romance entre os dois, os problemas na escola pela aceitação do namoro, a discriminação e a aceitação pela aparência e pela forma de se vestir, também acompanhamos o drama da família de Eleanor. Aos poucos, percebemos que a situação caminha para um desfecho dramático. Mas, quando chegamos a ele, acontece a única decepção da obra: sua conclusão. Ao invés de dar continuidade ao forte vínculo entre Eleanor e Park, o autor preferiu partir para uma decisão que não condiz com o que os dois demonstraram procurar durante toda a história. Fica a sensação forçada de que o que acontece é proposital para deixar o coração do leitor machucado, como se isso fosse necessário para tornar o final marcante. O que é uma pena, porque isso tira um pouco do brilho da obra.

ELEANOR & PARK é um romance juvenil carregado de sentimentos, que abandona completamente a superficialidade da paixão baseada nas aparências físicas, e esse é o maior mérito da obra em comparação com milhares de outras. Mesmo com um final decepcionante, vale muito a leitura, principalmente para quem valoriza o externo e não o interno.


AUTOR: Rainbow ROWELL
TRADUÇÃO: Caio PEREIRA
EDITORA: Novo Século
PUBLICAÇÃO: 2014
PÁGINAS: 328


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Carlos Barros

Sou o Carlos e tenho várias paixões, como livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

7 Comments Deixe um comentário

  1. Eu tive o prazer de conhecer essa obra por conta de um desafio, nunca por vontade própria teria lido um livro com essa sinopse, imaginei exatamente isso, um livro voltado à adolescentes ou público juvenil. Na verdade eu acredito que seja uma leitura indicada para todas idades. Eu fiquei encantada com a escrita, com a profundidade dos personagens, a dor de Eleanor é quase palpável, minha vontade era entrar no livro e abraçar essa menina em todas vezes que ela sofreu naquela cama, dividida com a irmã, naquela pequena casa cheia de opressão. Ou naquele ônibus, antes de se tornar amiga do fofo Park.
    Fiquei frustrada com o final, mas assim mesmo é um livro que faz um bem danado, apesar das lágrimas que chegam aos olhos..

  2. Um livro tão simples, com temas tão complicados. Li a obra numa versão “Revista Avon” que uma amiga comprou e não curtiu. Aí ela me emprestou e eu amei!!!
    O final é realmente um tapa na cara, não só por a gente ficar torcendo para um outro final, mas também há essa destruição de tudo que acreditamos.
    Feito para sofrer, fato!
    Preciso comprar a obra e reler!!!Será que algum dia sai uma adaptação??
    Beijo

  3. Oi Carl, tudo bem?
    Eu li esse livro e me lembro de ter ficado apaixonada pelos personagens, mas também arrasada em algumas horas. Eu achei que o livro deixa algumas coisas mal explicadas, mas talvez tivesse sido a intenção da autora de transmitir sua mensagem.

  4. Um dos livros mais tristes que já li. E umdos poucos com final aberto que curti.
    Eleanor tem uma vida muito sofrida e aquela mãe dela sinceramente…..
    Park é um amorzinho

  5. Olá! Nossa eu li esse livro a muito tempo, eu me apaixonei pelos personagens e até me identifiquei um pouco com os nossos protagonistas, mas sinceramente não consegui lembrar do final, acho que por ter sido tão frustrante, minha memória resolveu me poupar de mais essa decepção

  6. Carl!
    Delícia poder ler um livro onde os protagonista tem uma sintonia fina um com o outro e se ajudam a superar seus medos, frustrações e criar novas expectativas de vida.
    Não li ainda nenhum livro da autora, porém só leio elogios sobre ela e suas personagens bem construídas e sempre com a mensagem de fé, isso é importante.
    cheirinhos
    Rudy

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