O PRÍNCIPE DA NÉVOA

25 de fevereiro de 2019
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3 min de leitura

Movidos pelo início da guerra, a família de Max Carver se muda para uma pequena cidade no litoral. Assim que chegam, Max encontra um jardim com uma misteriosa estátua, sua irmã mais nova, Irina, começa a ouvir vozes, e a irmã mais velha, Alicia, tem sonhos estranhos e assustadores. Quando Max e Alicia conhecem Roland, um garoto que trabalha em um pesqueiro e possui um pequeno barco de passeio, os três começam uma amizade que irá colocá-los dentro de um barco naufragado e diante da volta do Príncipe da Névoa, um homem que possui poderes do tamanho de sua maldade. E ele volta para cobrar seu pagamento por um desejo concedido anos atrás.

Este foi o primeiro livro Zafón e nele podemos encontrar diversos elementos que foram inseridos nas obras posteriores. Temos o homem misterioso dono de poderes sobre-humanos, os pedidos concedidos em troca de um favor, a nuvem negra, o farol, o barco, o relojoeiro e inventor, a cidade a beira-mar, o romance adolescente de Alicia e Roland e o herói Max, que foi copiado nos livros posteriores, inclusive no mais famoso, A SOMBRA DO VENTO.

Por tudo isso, O PRÍNCIPE DA NÉVOA é interessante para compreendermos como Zafón não ficou satisfeito com os livros posteriores: AS LUZES DE SETEMBRO, O PALÁCIO DA MEIA-NOITE e MARINA. Ele tentou criar versões diferentes para ações presentes na primeira obra, e só conseguiu com total sucesso em A SOMBRA DO VENTO, que, exatamente por isso, é seu livro mais famoso.

Isso quer dizer que as obras anteriores são ruins? Claro que não! Quer dizer apenas que Zafón não se deu por satisfeito com alguma coisa. E para quem leu os quatro livros, pode conseguir identificar os pontos repetidos e o que foi modificado neles. Por exemplo, o final de O PRÍNCIPE DA NÉVOA é de cortar corações e apresenta uma situação limite que poderia ser evitada facilmente se ocorresse no mundo real. O final de AS LUZES DE SETEMBRO também possui um espaço de tempo tão grande para a solução da situação dos dois personagens principais, que fica forçado. O vilão é usado em vários dos livros com pequenas modificações, mas seus poderes são mantidos quase que de forma igual. O relojoeiro está sempre presente. O herói tem apenas sua aparência modificada, ou idade, mas seus comportamentos são idênticos.

E poderia citar vários mais, mas a resenha se tornaria maçante.

O que vale dizer, é que já no seu primeiro livro, Zafón sabia usar as palavras para criar uma combinação harmoniosa. Ainda estava longe da perfeição que é a escrita de A Sombra do Vento, mas os diálogos, principalmente, já eram cheios de sarcasmo e graça.

Max, Alicia e Roland formam um trio mais equilibrado que os dos livros seguintes. O romance entre Alicia e Roland é gostoso de acompanhar, e o fato de Max, o personagem principal, ser remetido a coadjuvante em certos momentos, chega a ser interessante pela novidade. Inclusive existe um pequeno trecho entre o casal adolescente que é belo de acompanhar e emociona.

O embate final dos três heróis com o Príncipe da Névoa é muito emocionante, e a constatação do resultado e do valor cobrado é agoniante, porque percebemos a inevitabilidade do que está por vir, e queremos gritar para Zafón não fazer isso como nossos corações.

Mas ele faz! E é doloroso ler.

Não preciso dizer que a leitura é recomendada. É Zafón, afinal!


AVALIAÇÃO:


AUTOR: Carlos Ruiz ZAFÓN é um dos autores mais lidos e conhecidos em todo o mundo. Iniciou sua carreira literária em 1993 com O Príncipe da Névoa (Prêmio Edebé), seguido por “O palácio da meia-noite”, “As luzes de Setembro (reunidos em volume único chamado A Trilogia da Névoa) e Marina. Em 2001 publicou seu primeiro romance para adultos, A sombra do vento, que não demorou a se transformar em verdadeiro fenômeno literário internacional. Com O jogo do Anjo (2008), retorna ao universo do Cemitério dos Livros Esquecidos. Suas obras já foram traduzidas para mais de quarenta línguas e já conquistou inúmeros prêmios, além de milhões de leitores ao redor do mundo.
TRADUÇÃO: Eliana AGUIAR
EDITORA: Suma
PUBLICAÇÃO: 2013
PÁGINAS: 184


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Carlos Barros

Sou o Carlos e tenho várias paixões, como livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

8 Comments Deixe um comentário

  1. Fiquei intrigada pelo fato de Zafon repetir certos elementos em quase todos os livros, como foi citado na resenha. Como não li nenhum dos livros citados, não posso opinar se isso é bom ou não.
    Falando de O Príncipe da Névoa é um suspense com toques de mistério e como pano de fundo a perda da inocência na adolescência.

  2. Kkk eu acho muito bonita a insistência do Zafón em fazer ficar perfeito. Eu tenho um pouco de medo por como ele dele estar agora que acabou a série do cemitério dos livros esquecidos, me preocupa em pensar em como a cabeça dele pode estar. Muitos autores terminam uma obra que consideram por obra prima e acaba sendo algo inatingível ao quesitos do próprio autor. Porque escrever não é ser suficiente ao público, é ser suficiente para si mesmo.
    Meus livros favoritos dele são Marina e O Jogo do Anjo, e… Eu não sei explicar, mas é por eu ter visto ele mais claramente através do papel.
    Tem uma parte de um dos livros do Zusak (autor da Menina que Roubava Livros – Ps. Odeio ter que usar isso como referência. Quando se põe uma referência em um livro é para marketing e deve ser feito, mas dói pensar que obras estão sendo comparadas. Tipo: hello, o best seller é o outro, não este). Enfim… Zusak fala algumas frases que o denunciam através das páginas. Tipo quando em um dos livros ele escreve: “Você consegue ver meus olhos?”
    … E quando eu li isso naquele livro, o livro parou. Não foi o personagem que disse aquilo. Foi forte. E eu vi o Zusak cansado numa madrugada, na frente do computador, cheio de olheiras, dizendo: Você consegue ver meus olhos?
    E eu quis abraçar ele. Eu penso que… Ele demorou tanto tempo para escrever outro livro depois do best seller… E… Eu penso em quanto ele teve pressão pra escrever. Pra não deixar a fama esfriar.
    Tem autores que escrevem a rodo e está tudo certo, mas tem autores que se cobram demais…
    O André Aciman (Me chame pelo seu nome) escreveu o 2o livro dele e… Eu só via a falha constante de alguém que fez 100 páginas boas e depois precisava cumprir uma meta é enrolou e enrolou e não saia do lugar, daí me vem a notícia de que vai sair um Me Chame Pelo seu Nome 2. Não precisava ou cabia um 2o volume. O que eu vejo nesses casos é o desespero, a pressão, todas as oportunidades e nada que inspire o suficiente.
    Eu tenho medo pelo Zafón, após o término de algo que foi tão árduo pra ele. Não sei… Eu me preocupo. Eu sei que tudo o que ele escrever vai ser incrível, mas… Como está a cabeça dele, entende?
    Desculpa pela resposta enorme, eu precisava desabafar em algum lugar…
    Eu amo esse homem rs

    • Concordo com você. Veja o caso da Jojo, que escreveu as continuações apenas pelo dinheiro. A qualidade não é a mesma. Mas Zafón é diferente. Ele não tem pressa, ele escreve no tempo dele, quantas vezes precisar, até ficar satisfeito.

  3. Sou apaixonada pelas letras do Zafón. A maneira do autor descrever as cenas, os lugares, os personagens nos leva sempre a visualizar de fato, os lugares, principalmente quando ele descreve a velha Barcelona e toda sua névoa.
    É um autor completo, e oh, meu livro favorito do autor é O Jogo do Anjo..rs apesar de sim, ter amado A Sombra do Vento e Marina.
    Por isso, com certeza, preciso muito conferir este primeiro trabalho do autor, coisa que ainda não fiz!
    Lerei!
    Beijo

  4. Olá! Conheci o autor, por indicação de uma professora na faculdade e fiquei encantada com sua escrita, muito interessante saber um pouco mais da maneira como ele escreve e o quanto ele se preocupou em trazer histórias tão incríveis.

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