HABIBI

28 de julho de 2018
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2 min de leitura

HABIBI é uma Graphic Novel que une elementos da cultura árabe, religiosidade e duras realidades. Dodola e Zam, nossos protagonistas, se encontram em um momento de extremo sofrimento e, lado a lado, eles crescem e desenvolvem sentimentos conflitantes um pelo outro.

Essa é uma história que me incomodou e me deixou desconfortável em muitos momentos. As ilustrações são fortes e envolvem violência física e sexual. Eu as achei realmente fortes e, por vezes, desnecessárias.

Dodola adota Zam e o cria como se ele fosse seu filho, e a convivência permite que eles criem um laço extremamente forte. Ambos fazem sacrifícios para sobreviver, e os acontecimentos que acompanhamos causam aflição e tristeza. Apesar de tentarem, constantemente, criar um mundo que seja só deles, os personagens acabam sempre sendo submetidos aos mais diversos sofrimentos.

HABIBI consegue unir elementos históricos, culturais e fantásticos de forma harmoniosa e envolvente. A narrativa é única e poética e as ilustrações conseguem acompanhar esse ritmo, são ilustrações de traço forte, mas que parecem dançar nas páginas, como fumaça ou como um rio. As ilustrações se misturam e se mesclam, e cada página carrega uma riqueza infinita de detalhes.

É uma história de extremo sofrimento. Logo no início, vemos Dodola ser vendida pelo próprio pai a um homem muito mais velho e isso é apenas o começo. A misoginia está presente de forma muito chocante nessa história, exposta e repulsiva, mas sem muita análise.

Essa me parece ser uma obra que quer retratar o ato de encontrar amor em um lugar sem compaixão, sem empatia e sem esperança. No entanto, essa esperança, que eu supostamente deveria ter sentido, foi camuflada pelo excesso de crueldade que o livro contém. As últimas páginas até passam uma mensagem mais clara de amor ao próximo, mas, no restante do livro, eu só consegui me sentir enjoada.

A vida de Zam e Dodola se mistura com as narrativas religiosas, por meio das histórias que Dodola conta. Durante a leitura, encontramos muitas referencias ao Corão. O livro tem uma carga educativa que é interessante, principalmente por se tratar de uma cultura que pouco conhecemos.

Sem dúvida, essa Graphic Novel não é para todo mundo e, certamente, não foi pra mim. Eu me senti mal em boa parte da leitura. O livro tem bem mais de 600 páginas e, muitas vezes, eu senti que a narrativa estava dando voltas. Eu ansiava por chegar ao fim da história para poder sair de todo aquele sofrimento e dor. Eu entendo a força da história, mas, com toda a sinceridade, acho que a HQ é bem subestimada.

A edição é lindíssima, as cores da capa são coerentes com a proposta do livro e esse é um livrão que dá vontade de ter na estante. Eu recomendo para quem tem estomago forte e aguenta uma história de sofrimento extremo e imagens fortes.


AVALIAÇÃO:


AUTOR: Craig THOMPSON nasceu em Traverse City, Michigan, em 1975 e foi criado na zona rural de uma pequena cidade de Wisconsin. Após trabalhar no departamento de design de uma das maiores editoras de quadrinhos dos Estados Unidos, a Dark Horse, ele começou sua carreira de quadrinista e lançou seu primeiro álbum, Good-Bye, Chunky Rice, em 1999. Publicou também Cadernet de voyage, um relato de viagem sobre a turnê de divulgação de Retalhos na Europa.
TRADUÇÃO: Érico ASSIS
EDITORA: Quadrinhos na Cia
PUBLICAÇÃO: 2012
PÁGINAS: 672


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Carlos Barros

Sou o Carlos e tenho várias paixões, como livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

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