DANIEL, DANIEL, DANIEL

19 de setembro de 2019
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5 min de leitura

Perturbação obsessiva-compulsiva (POC) ou transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é uma perturbação mental caracterizada por obsessões e compulsões. As obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes que provocam na pessoa ansiedade ou mal-estar. A pessoa sente a necessidade de ignorar ou suprimir a ansiedade causada por essas obsessões através de pensamentos, rotinas ou atividades repetitivas denominadas compulsões ou rituais.

As obsessões mais comuns são o medo de contaminação por germes, sujidade ou produtos químicos, medo de contrair uma doença, medo de prejudicar outras pessoas de forma acidental ou intencional ou medo de cometer um erro grave. As compulsões mais comuns são lavar as mãos ou limpar compulsivamente para diminuir o medo de contaminação ou de contrair uma doença; confirmar repetidamente as coisas para diminuir o medo de prejudicar outrem ou de cometer um erro; e ordenar, organizar por determinada ordem, contar ou repetir compulsivamente nomes, frases ou rotinas para diminuir a ansiedade. Algumas pessoas têm dificuldade em deitar fora objetos.

A maior parte dos adultos com POC ou TOC está consciente que os comportamentos não fazem sentido. A condição está associada a tiques, perturbações de ansiedade e risco acrescido de suicídio. Não se conhecem as causas dessa doença, e nem como curar. O tratamento consiste em acompanhamento psiquiátrico, terapia ou medicação com o uso de inibidores seletivos de recaptação de serotonina.

Daniel tem 13 anos de idade e tem TOC, mas ela não sabe. Ele acha que o fato dele ligar e desligar as luzes do quarto dezenas de vezes antes de conseguir dormir, não conseguir olhar para o número 9, entre outros números, evitar pisar em linhas retas no chão, ou mesmo lavar as mãos repetidamente, são indícios de que ele é louco. E com medo de descobrirem, ele esconde e disfarça todos esses comportamentos. Seus pais, Max, o melhor amigo, e principalmente Raya, a garota por quem é apaixonado, não desconfiam de nada. E ele pretende manter assim.

Mas no colégio onde estuda, existe uma garota que é mantida afastada de todos, e ninguém sabe o motivo. Ela se chama Sara e nunca conversou com ninguém, nem sequer uma única palavra, a não ser com os professores e os pais. Até que um dia, sem qualquer aviso, quando Sara anda pelo corredor acompanhada por um professor e passa ao lado de Daniel, ela fala com ele, para espanto de todos. E nesse mesmo dia, ao chegar em casa, Daniel encontra um bilhete misterioso, onde quem escreveu pede ajuda, marca um local de encontro e assina como Colega das Crianças das Estrelas. Curioso, Daniel resolver comparecer para descobrir quem é essa pessoa, e termina por se envolver em uma investigação sobre o assassinato do pai de uma aluna.

Daniel é construído pelo autor para demonstrar a inocência e ingenuidade diante de uma doença séria que pode causar depressão. Ele não conta para os pais o que passa, como medo, e isso é outro exemplo de como é importante existir um diálogo dentro de um grupo familiar, sem medo de censura, de julgamento, de recriminação. Daniel é um garoto inseguro, tímido, reprimido pelo que não compreende, que se julga e condena a cada momento. E existem vários Daniels pelo mundo, que passam pela mesma situação.

Existe uma evolução do personagem durante a leitura, uma desconstrução e uma reconstrução. Elas ocorrem movidas por duas coisas: a primeira é relacionada ao fato de Daniel ser reserva do time de futebol americano; e a segunda é seu relacionamento com Sara. Daniel é o garoto da água do time, e isso está ótimo para ele, porque não precisa se provar e nem decepcionar ninguém por não saber jogar. Mas um dos colegas se machuca em um treino, e Daniel precisa substituí-lo. O pior é eles estarem a três jogos da final do campeonato. Então, Daniel é obrigado a enfrentar suas limitações.

Sara é uma garota mais complicada do que Daniel. Ela tem transtorno de ansiedade generalizada, transtorno bipolar, esquizofrenia moderada e depressão. O conhecimento de suas doenças permitem que ela identifique de primeira o que Daniel tem, e é ela que o ajuda a compreender a situação. Ela se vê nele, e ele se vê nela. É uma dupla incomum que compartilha uma condição incomum. E é através da aventura em que eles entram, para desvendar o tal assassinato, que os impulsiona para um avanço nas dificuldades que enfrentam.

Max e Raya são, respectivamente, o melhor amigo e a paixão secreta de Daniel. Max é um personagem simpático, que apesar de ser popular, de ser destaque do time de futebol, não se separa do amigo rejeitado e que todos acham estranho. A amizade que ele tem por Daniel é verdadeira e ele não se importa com as opiniões dos outros colegas. É uma mensagem importante, ainda mais na adolescência, quando os jovens precisam de autoafirmação e sentem necessidade de serem julgados de forma positiva pelos outros.

Raya é uma garota extrovertida, simpática, bonita, que Daniel pensa ser inalcançável. Mas ela não é esnobe ou fútil, ela simplesmente é alegre. E conforme ela vê quem Daniel é de verdade, ela sente necessidade de se aproximar, ela se interessa pelo que ele escreve, pelo que ele conversa e o incentiva a enfrentar a ansiedade e o medo por precisar jogar substituir o colega nos jogos de futebol.

DANIEL, DANIEL, DANIEL é um romance juvenil que traz mensagens importantes sobre doenças sérias e cada vez mais comuns entre jovens. A forma como o autor explica cada uma delas, totalmente inserido na trama, é simples e muito informativo. Daniel, Max, Sara, Raya, são todos personagens apaixonantes, bem construídos, e com um mistério somado à trama, a leitura é rápida e prazerosa. Mistério esse que, apesar de ser triste, combina perfeitamente com o resto da história, e também envia uma importante mensagem sobre como é importante dar apoio a quem precisa.

O único senão é um incômodo que eu senti quanto ao final. Não propriamente sobre Daniel ou Sara, mas com Raya. Ela tem uma conclusão que achei grosseira, rude, desnecessária, que ela não merecia. Eu realmente não entendi o motivo do autor ter feito o que fez, da forma que fez, sendo que ele fez Raya ser alguém por quem o leitor até torce. Confesso que senti vontade de abraçar Raya e dizer que está tudo bem. Estranho. Uma pena.

De qualquer forma, todo o resto é muito, muito bom de se ler, e se você quiser a chance de conhecer Daniel, Sara, Max e a Raya, ganhando um exemplar de DANIEL, DANIEL, DANIEL, basta participar do sorteio. Só seguir as regras abaixo 😉

REGRAS

UM: Preencher o formulário de participação, sendo que existem entradas obrigatórias, que valem um ponto cada uma, entradas opcionais, que valem cinco pontos cada uma, e uma entrada diária opcional, que vale cinco pontos a cada dia que voce a fizer. Quantos mais pontos você somar, mais chances tem de ser sorteado;

DOIS: Deixar um comentário neste post;

TRÊS: O ganhador precisa ter endereço no Brasil para receber o prêmio;

QUATRO: Após 19/09/2019, será feito o sorteio pelo formulário de participação;

CINCO: O prêmio será enviado em até 30 dias úteis, após divulgado o resultado. O blog nao se responsabiliza por extravios, danos ou roubos do prêmio enviado;

SEIS: O ganhador(a) terá 48 horas para responder ao e-mail de solicitação do endereço. Caso não responda nesse prazo, será desclassificado(a) e um novo nome será sorteado;

SETE: O blog GRAMATURA ALTA se reserva o direito de dirimir questões nao previstas nestas regras.

RESULTADO

Giovana Santos (@gvnsant)


AVALIAÇAO:


AUTOR: Wesley KING
TRADUÇAO: Thales FONSECA
EDITORA: Rocco
PUBLICAÇAO: 2019
PÁGINAS: 280


COMPRAR: Amazon


Carlos Barros

Sou o Carlos e tenho várias paixões, como livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

29 Comments Deixe um comentário

  1. Tive uma péssima experiência com “Uma História de Amor e TOC”, no quesito “não conseguir ler porque a minha ansiedade atacava em cada capítulo” kkkkkkk Só espero que com esse livro seja diferente.
    Fiquei MUITO curiosa pra conhecer esses nenéns, e mais ainda pra saber o que aconteceu com Raya.

    • A história é bem leve, sem dramas ou exageros, e muito instrutiva. Surpreendeu. Só não concordei mesmo com o tratamento dado a Raya, ela mereceia algo melhor.

  2. Importante essa temática em um livro juvenil. Pois como o próprio Daniel, os jovens podem sofrer desses transtornos e não saber. Só me preocupa são os gatilhos que por ventura possam existir.
    É um livro sobre descoberta, aceitar-se como se é e de receber ajuda.

  3. Participando, com certeza, o que mais tenho na minha estante é livro sobre transtornos mentais e afins, mas faz tempo que não leio nenhum sobre TOC, o último foi Dizem que Sou Louco. Uma pena que não tenha gostando muito do final, mas vou arriscar mesmo assim kkkkkk ^–^
    Ps. Momento desabafo: fico muito p da vida quando me vem um dizer “livro juvenil é fraco, é ruim, não vale a pena”. Tipo… Que?????? Amo juvenil, ainda mais sobre esse tipo de tema, e nossa… Os de autismo, tenho vontade de abraçar. Eles nos ensinam a empatia de uma forma tão honesta :’)

  4. Oi Carl, tudo bem?
    Sou estudante de psicologia e sempre fico muito interessada com livros com a temática de transtornos psicológicos. Achei bem interessante a premissa de Daniel, Daniel e me lembrou bastante Tartarugas até Lá Embaixo.

  5. Carl!
    Como psicóloga gosto de livros que abordam problemas psicológicos e ver que o autor relata sua própria experiência e consegue uma amizade importante que o ajuda e vice-versa. Deve ser uma ótima história de se acompanhar, mesmo que pudesse ter aprofundado mais sobre a questão do TOC.

    Participo e sairá divulgação no blog.
    Rudynalva Correia Soares
    rudynalva@yahoo.com.br
    cheirinhos
    Rudy
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

  6. Eu estava observando sobre estes transtornos estes dias. Sei lá, acho que todo mundo hoje em dia sofre de algum tipo assim, não propriamente Toc e seus “derivados”,mas vivemos tempos difíceis.
    Eu me policio todos os dias. Sou chata. Mas muito chata em relação a tudo. Sempre tudo no mesmo lugar e se alguém tira um perfume do lugar, eu sei que tirou.. Então, é uma luta diária para que as frustrações não me peguem e as crises aconteçam.
    Por isso, acho super importante livros assim com esta temática, ainda mais trazendo isso em personagens tão jovens, onde acredito eu, seja a parte mais complicada de tudo.
    Já fiquei meio triste pelo final dado a uma personagem, mas mesmo assim, quero ter a oportunidade de conferir a obra sim!!!
    beijo

  7. Gostei muito de saber que tem uma historia tão profunda mas contada de uma forma tão leve, eu tinha TOC quando mais nova r não me permito mais ficar arrumando tudo com os rótulos para frente por tamanho e tudo mais que vem junto e eu nem sabia que isso existia, então é bom ter esse tipo de leitura para todo mundo poder saber mais sobre essas doenças.

  8. Olá! Muito bacana encontrar um história que aborde um assunto pouco mencionado nos livros, eu sinceramente acho que o TOC está presente na vida de praticamente todos nós, seja em um grau menor, mas ele está lá! Por isso, achei bem interessante e já quero conhecer um pouco mais sobre o Daniel e seus “amigos”.

  9. Às vezes vemos por aí livros que falam sobre algum tipo de transtorno, mas esse parece mais especial por tratar de transtornos tão diferentes em mais de um personagem. Não deve ser nada fácil, em meio à adolescência ter que enfrentar algum transtorno. Logo eles que querem sempre ser aceitos por todos.
    Fiquei curiosa, principalmente para descobrir o que aconteceu com a Raya no final.

  10. Olá!
    Un livro incrível e interessante. Rencentimente li um livro que falava sobre essa doença o TOC e acredite na minha leitura ficava bastante agoniada com a situação do personagem, acho que se eu ler esse livro sentiria o mesmo. A trama e envolvente e fiquei bastante curiosa por ela.

    Meu blog:
    Tempos Literários

  11. Conheço pouquíssimos livros que tratem sobre o TOC. E até não sei profundamente sobre esse transtorno. Sara e Daniel formam uma boa dupla por se verem um no outro por causas de seus transtornos. Acho que vale a leitura, pode trazer informações valiosas.

  12. Se a gente parar pra pensar fica parecendo que a pessoa é fresca e vc acaba julgando sem saber o que a pessoa passa né. Gostei da tematica do livro, eu já convivi com uma pessoa que tinha esse tal de TOC, é uma coisa bem “estranha” rsrs
    mas enfim, particiando do sorteio e torcendo pra ganhar. 🙂

  13. Oi!
    Ao longo da sua resenha, fui pensando, EITA LIVRO BOM, PODERIA TER SORTEIO NO FINAL! (meu dia de sorte?)
    Eu sou apaixonada por tudo que envolve psicologia, livros então hummm… ♥ o único problema é querer ajudar um personagem fictício, bem coisa que eu faço mesmo kkk

  14. Olá, Carl
    Atualmente é difícil não encontrar alguém que não tenha pelo menos um leve TOC.
    Não sou tão chata assim quanto organização e limpeza, mas eu sei muito bem quando alguma coisa minha tiraram do lugar, que mexeram. Principalmente quando é algo de comer que guardei, meu irmão é mestre em comer o que não lhe pertence, kkkk.
    Mesmo com o final que Raya teve que quero descobrir, o autor abordou um tema atual de forma leve com adolescentes.
    É uma leitura enriquecedora, beijos.

  15. Achei perfeito só pela resenha, não vejo a hora de lê-lo. tbm acho que todos nós temos um pouco de TOC. Eu, por exemplo, arrumo a casa varias e varias vezes ao dia por mais que esteja arrumada, sempre fico procurando algo a fazer por mais que não tenha kkkkkk, ancioso para ler este livro

  16. Oiii ❤ Gostei que o autor parece trabalhar o TOC de uma forma simples, bem voltada para jovens, já que é importante que eles saibam o que é, já que por falta de informação, Daniel não sabia que tinha TOC.
    Quero muito ler esse livro, já que gostei do tema que é abordado e tenho curiosidade sobre a escrita do autor.

  17. Fui atraído basicamente pelo nome do livro, o mesmo que o meu, mas a resenha também me interessou bastante. Já li outro livro sobre o tema, um nacional de um casal que a moça era possessiva demais com os amigos e o cara tinha mania de organização.

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