26 de julho de 2019

LISBOA CAPITAL DA ILUSÃO

Como está na introdução de LISBOA CAPITAL DA ILUSÃO, há vários anos que uma abordagem fotográfica diferente, baseada fundamentalmente num processo de observação, imaginação e na procura de ângulos ou cenários ilusórios, faz parte do dia-a-dia, pesquisa e estudo dos autores. Eles procuraram capturar cenários reais sem recorrer a qualquer foto-manipulação e, contudo, sem deixar de obter uma fotografia enigmática, capaz de fazer soltar uma exclamação, uma interjeição, um sorriso, muitas dúvidas.

Ainda na introdução, há uma explicação sobre o que é a ilusão de ótica: em termos gerais, é uma percepção distorcida da realidade. O termo se aplica assim a todas as imagens ou cenários que “enganam” o sistema visual, levando-nos a observar algo que, pura e simplesmente, não existe, ou que existe mas não é detectado ou que é visualizado de forma errada. A luminosidade e o sombreamento, a distância, a cor, a perspectiva, a interposição de objetos e pessoas, ou o simples movimento do olho, podem desempenhar um efeito incrível sobre o que (realmente) vemos.

LISBOA CAPITAL DA ILUSÃO é um conjunto de fotografias tiradas de paisagens e objetos em uma posição que transmite dois significados: o primeiro e mais óbvio, a paisagem ou o objeto em si; o segundo é a ilusão, aquilo que está além do óbvio. Assim temos, agrupadas em capítulos, ilusões de ótica, ilusões de perspectiva, ilusões de levitação, ilusões de sombreamento, entre outras. Todas elas exigem que o leitor demore mais do que alguns segundos em cada uma. Algumas são fáceis de identificar a ilusão, outras demoram mais, e nessas, quando conseguimos, ficamos surpresos em como os autores conseguiram realizar o feito. Ou melhor, conseguiram identificar como realizar o feito sem qualquer manipulação.

Mas melhor do que tentar explicar, é mostrar um pouco do que você poderá encontrar nas páginas de LISBOA CAPITAL DA ILUSÃO. Na foto abaixo, apenas posicionando a camêra, cria-se a percepção de que o calção pendurado serve de rede para a cesta de basquete desenhada na parede ao fundo.

Nesta próxima, não há como identificar se a escada está encostada no vidro do prédio ou no muro que separa a calçada do andar inferior. Para descobrir, você teria que se aproximar mais da escada.

E nesta, o jato de água de um aspersor de jardim, parece estar empurrando uma mulher na parede do outdoor ao longe.

Um último exemplo é esta foto, onde parece que um monstro feito de folhas está prestes a devorar o pobre homem que trabalha no telhado da casa.

Esse tipo de arte exige que além de apuro estético, exista uma percepção entre a paisagem e os objetos além dela, para que em conjunto, se possa criar a tal ilusão, se possível. Não é apenas um trabalho artístico, mas também de paciência e de pesquisa, porque não basta encontrar algo belo para se fotografar, é necessário encontrar uma ilusão que possa ser construída desse algo.

LISBOA CAPITAL DA ILUSÃO entrega três produtos distintos em um único livro: fotos lindas de paisagens urbanas; pequenos ilusões para serem desvendadas; e a oportunidade de conhecer um pouco da capital de Portugal. São mais de 100 fotos diferentes, que farão você se distrair e admirar por mais de uma vez.


AVALIAÇAO:


AUTORES: Pedro PRETO nasceu em Lisboa, em 1971. É licenciado em Biologia. Descobriu a fotografia em 2007 e é colaborador da Universidade Intergeracional de Benfica nas áreas da fotografia e literatura. Nuno PEREIRA nasceu em Lisboa, em 1967, e é Mestre em Geografia Física. Tem na fotografia um dos seus hobbies prediletos.
EDITORA: Chiado
PUBLICAÇAO: 2019
PÁGINAS: 164


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Carlos Barros

Sou o Carlos e tenho várias paixões, como livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

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