A SEGUNDA AURORA

21 de fevereiro de 2020
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2 min de leitura

Numa misteriosa vila encravada no planalto central brasileiro, um povo sofrido luta bravamente para sobreviver aos desafios da natureza. É lá que Deati, a contadora de histórias local, irá se deparar com uma figura intrigante, um ser que emite luz pelos olhos e que talvez não seja exatamente o que parece ser. O amor que nascerá deste encontro será a chave para que a doença que vem matando as crianças nascidas naquela vila seja curada. E a epopeica busca desta cura nos levará por uma viagem pelo Brasil, em uma época bem, bem diferente da que estamos acostumados.

Tine é uma garota de 13 anos, divertida, tagarela, e que acaba por ter um encontro com Heitor, um dos cinco tripulantes de uma nave espacial que pousa na região. Depois de toda a vila tomar conhecimento dos viajantes, que consideram como deuses, Deati, uma espécie de guardiã das histórias de seu povo, começa um romance com Heitor. É formado um triângulo amoroso, uma vez que Lemaro, o melhor caçador da vila, gosta de Daeti, embora o sentimento não seja recíproco.

Em paralelo, acompanhamos outras tramas e romances, um deles com a própria Tine, além das interações dos outros tripulantes da nave e outros moradores da vila, bem como os planos de Veizar, a médica que acaba por ser a grande vilã da história. Aos poucos, conforme se apresentam, eles iniciam uma investigação e uma busca pela cura da doença que está matando as crianças, mas, infelizmente, a um custo que pode cobrar a vida de muitos.

A narrativa é em terceira pessoa, ágil e impregnada de muito humor e alto astral. A relação dos personagens, a evolução deles com o passar do tempo e dos acontecimentos, é algo que gosto de encontrar em uma obra, que precisa ser bem construída para que torne essa característica crível e natural. Encontrei isso em A SEGUNDA AURORA, que não é apenas uma ficção-científica, mas também um exemplo de como o conhecimento pode ajudar, de como aceitar quem é diferente, de como conseguir conviver com pessoas totalmente deslocadas em uma sociedade fechada e isolada.

Os destaques ficam por conta de Deati, uma mulher que se transforma em uma líder, e em Tine, uma garota que se transforma em uma mulher de força. É importante destacar que é a força feminina, tanto do lado heróico, como do da vilã, que movem a história, ainda mais em um povo que deveria ser majoritariamente controlado pelo homem. As duas personagens são apaixonantes, principalmente Tine, que diverte com seu atrevimento e maneira de se comportar.

A SEGUNDA AURORA descreve as melhores qualidades do ser humano, com um paralelo entre uma cultura atrasada com a vinda de um povo tecnologicamente superior, e em como esse contraste por afetar positivamente e negativamente essa cultura. Uma leitura deliciosa e uma grata surpresa.


AUTOR: Juliano RIGHETTO
EDITORA: Chiado
PUBLICAÇAO: 2018
PÁGINAS: 632


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Carlos Barros

Sou o Carlos e tenho várias paixões, como livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamento o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco ;>) -, e não saber desenhar O.O

11 Comments Deixe um comentário

  1. Literatura nacional de primeira?? É isso?? Puxa, eu ainda não conhecia o trabalho do autor, mas já gostei de ler sobre o mistério envolvendo essa vila e seus moradores!
    E sabe o que mais me agradou? Ler que em mais uma histórias, temos mulheres fortes! Eu ando adorando ver isso na literatura e no cinema!
    Já vai para a lista dos desejados!!!
    Abraço!!!!

  2. Oi Carl, tudo bem?
    Achei a premissa do livro bem legal, e o fato de apresentar mulheres empoderadas é maravilhoso, mas preciso confessar que tenho um pouco de preconceito quando a história se passa no Brasil. Estou trabalhando para vencer esse sentimento, e dar mais valor aos autores nacionais.

    • Olá, Lara! Desculpe só escrever agora, mas não tinha visto a resenha do Carl até hoje… Eu sou o autor do livro, e posso te dizer que a história se passa no Brasil, mas poderia se passar em qualquer outro país. Você vai ver que o “universo” que criei não liga para nacionalidades, credos ou preferências. É a humanidade vivendo um momento muito difícil, e aprendendo a superá-lo da melhor maneira possível. Vai ser um prazer saber sua opinião após a leitura, por favor, conte-me o que achou depois, ok? Abraço!

  3. Achei muito curioso e interessante o tema do livro, e muito atual também , pois sempre a humanidade está em busca de cura para alguma enfermidade.
    Não é meu gênero de leitura preferido, mas nunca digo nunca.
    Obrigada pela resenha.

  4. Olá! Confesso que fiquei bem confusa com a história e isso bem antes de chegar a parte em que descobri que se trata de ficção científica (o que explica um pouco eu ter me perdido)! Mas não posso negar que se trata de uma história para lá de interessante ainda mais por se passar por aqui no Brasil!

  5. Carl!
    Os livros de ficção tem trazido uma mistura de futurismo com reações atuais que vivemos, uma sociedade muito parecida, mas aqui, acredito que o diferencial, é mostrar o lado bom e de como o diferente pode ser natural. Gostei.
    cheirinhos
    Rudy

  6. Carl, muito legal tua resenha! Obrigado! Só para você saber, já estou no sétimo capítulo de “Deati”, a história que explica o que aconteceu com o Heitor desde a explosão no túnel da Imigrantes até a chegada em Jericoacoara! Quando for lançado, te aviso! Abraço!

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